segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Dê-me uma razão

 
 
 
"Amo como ama o amor. 
Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. 
Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"
 
 
 
(Fernando Pessoa)



Dê-me uma razão.
Para acreditar.
Que tudo.
Não é inverdade.
 
 
Dê-me uma razão.
Para aniquilar.
O infortúnio.
E a saudade.
 
 
Se só eu sei.
Como é a solidão.
Da longa noite.
E outro dia pode ser tarde.
 
 
Sei que sequei seu choro.
Lágrima não há mais.
Não tem fada no que lhe conto.
Nem bruxas medievais.
 Não revela que pretende.
Que sem truques magistrais.
Apenas com meu dom.
Eu a acalme.
 
 
Dê-me uma razão.
Para continuar.
Quando todos me dizem.
Que devo partir.
 
 
Dê-me uma razão.
Para lutar.
Quando tudo me leva.
A não mais persistir.
 
 
Se só eu sei.
Da sua solidão.
Na fria noite.
Mais um dia será tarde.
 
 
Eu não mostro meus fetiches.
Ficam guardados a sete chaves.
Eu sei dos seus deslizes.
Como foram seus desastres.
 É nosso o paraíso.
O meu toque em você.
É preciso.
 
 
Sei que meu jeito.
Tem um encanto.
Simples assim.
Sei que com meu jeito.
Extermino seu pranto.
No mal dou um fim.
 Mas, contudo.
Tudo que posso almejar.
Não há prece.
Que possa realizar.
 
 
Dê-me uma razão.
Para ficar.
Não me mudar.
Nem ir embora.
 
 
Dê-me uma razão.
Para me alegrar.
Não me preocupar.
Enquanto você chora.
 
 
Só me dê uma razão.
Para voltar atrás.
Diga onde está a razão.
Se é no que fala, ou no que sente.
Não me deixe louco.
Negando existir.
 Tudo que eu sei.


(W.B.)
 
 



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Luz






"A grandeza do homem consiste na sua decisão de ser mais forte que a condição humana." 


 (Albert Camus)


Não almejo nada mais.
Que me banhar na tua luz.
Ver-te na tarde que se esvai.
Desvendar em uma pergunta só.
O segredo do teu mel.


Então como.
Fizemos por merecer.
Como sentença sem julgar.
O réu padece aflito.
No próprio fel.


Minha alma.
Se acalma.
Desde que me jure.
Que não há mal que perdure.
Nossa calma.
Não tem inverdade.
E nos leva para o céu.


Não desejo mais.
Uma cruz carregar.
Não estar nos olhos teus.
Ser um bicho em um anzol.
Ouvir latim sob um véu.


Não boto fé.
No pranto em falsa face.
No meio do fim que tem.
O coração meu e dela só é proporcional.
 Ao tamaninho do céu.


A calma.
Que tenho na alma.
Fez com que o tempo mude.
Levou-me para a altitude.
Possuindo na terra.
Um anjo do céu.



Morena alva.
Tu não tens ressalva.
Tu não me pune.
Tu me deixa imune.
Tu me acalma.
Com a verdade.
E a sinceridade.
Do teu dom de mel.
É a saciedade.
Do teu lábio de mel.



 (W.B.)



segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Tu tens o valor








"Decida agora mesmo ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição."



(Facundo Cabral, poeta argentino)




Tive uma dor.
Não obtive explicação.
Ruindo sem compaixão.
Vi sumir a sanidade.



O final não significa que acabou.
As mãos tem açoites divinais.
Que pecam nas inverdades.
Eu sei.
Que quero sim.



Tu és o olor.
Que quero sim
Tu tens o sabor.
Que quero sim.
Não há indisposição.



Não dói o que curei.
Fiz da dor meu valor.
Bani fantasma que inexiste.
Eu sei.
Tu és o calor.
Que quero sim.
Tu és o estupor.
Que quero sim.
Eu quero sim.



Vi cair o escárnio.
Se fere fragilizada.
Sei que se arrepende.
É cara jóia rara.



A tua dor.
Comove a mim.
A tua cor.
Colore a mim.
Tu tens o ardor.
Que quero para mim.
Tu tens o amor.
Que quero para mim.




(W.B.)