"A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos."
(Picasso)
Que se faz quando se está mal?
Dividir o temor até o final?
Persiste, resiste sem cabedal.
O que se viveu não regressa mais.
O mágico tem segredos banais.
Se dissesse e quisesse voltar atrás.
Diria que é para frente que se vai.
Não há ódio, desprezo ou amor.
Pois jamais é o mesmo sabor.
Não há nada em mim.
Que não amou tudo em você.
Amou a curva do seu sorriso.
A ausência de juízo.
Seu jeito louco e imperfeito.
Sei que sorriu enquanto estava sofrendo.
Sei que ganhamos enquanto estávamos perdendo.
Fez um sinal para mim.
E afinal você viu.
Como se faz para ter céu azul.
Quando raios iluminam o escuro.
Um pedinte sabe que não pode ter tudo.
Não sabe se é bruxa ou musa.
Tem a sensação que está confusa.
Seguindo. Pelejando.
Contra Deus e o mundo.
As redes agora.
São lançadas em outros mares.
Não há nada em mim.
Que não amou tudo em você.
O brilho do seu sorriso.
O afago impreciso.
Serenas feições e afeições.
Sei que ruiu o que estava se erguendo.
Sei que esfriamos o que estava aquecendo.
Cartas queimadas.
Palavras em cinzas.
Arde o passado.
Lembranças findas.
Será que há.
Enfim.
Um afeto por você.
Um antigo regozijo.
Um novo esconderijo.
Outro rosto e mesmo gosto.
Sei que não estou entendendo.
Sei que é surreal o que está ocorrendo.
Fez um sinal no fim.
Sem adeus, partiu.
(W.B.)