quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Já imaginei






"O louco, o amoroso e o poeta estão recheados de emoção."



(William Shakespeare)



Sigo de modo incerto.
Caminhando em um deserto.
Acompanhado pela minha.
Solidão.


A nossa distância.
Possui irrelevância.
Pois meu intento.
É tua irrestrita rendição.



Já imaginei.
O nosso vinho.
Antes mesmo de degustar.


Já imaginei.
O nosso ócio.
Criativo. aguardado.
Já imaginei.


Eu te tiro do teu quarto.
Deixo teu mundo bagunçado.
Consigo fazer.
Tu saíres do chão.


Por mais que insista.
Em toda minha lista.
Só tu és.
Sem contestação.


Já imaginei.
O jeito certo.
De tirar a tua roupa.


Já imaginei.
O meio e um fim.
De te deixar louca.
Já imaginei.


Já fomos condenados.
Passamos maus bocados.
Ninguém saberá jamais.
O que tu sabes.
E eu sei.
Sou as tuas asas.
E nosso dezembro.
Já imaginei.


Já imaginei.
Onde estão as fendas.
Pelas quais vou adentrar.
Já imaginei
O vestido vermelho.
Que vou te presentear.
Já imaginei.



Tu és minha lisa.
Do calor a fresca brisa.
Quando meus olhos fecho.
Só penso em ti e em mim.


O teu imaginário.
Nosso maior adversário.
Só te quero em dois momentos.
Do início ao fim.


Já imaginei.
Tu és jóia rara.
Em meio a bijouteria.
Já imaginei.
A tua pele clara.
Que se arrepia.
Já imaginei.
Teu beijo quente.
Em uma noite fria.



Já imaginei.
Já imaginei.
Já... imaginei...


(W.B.)

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Ação




"Esquecer é uma necessidade. 
A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito."


(Machado de Assis)




Diga-me e eu vou esquecer. 
Mostre-me e eu posso não me lembrar. 
Envolva-me e eu vou entender. 



(Provérbio Indígena)








Está escuro.
Ao meu redor.
Besteiras rodam.
Em minha mente.


Um cheiro.
Que parece bom.
Me afasta de você.



Nada que digo.
Transforma.
Ou pode trazer.
O que esquece.



Essa melodia.
Rude.
Reverbera nos ouvidos.
Tal qual uma prece.

E não há canção.
Que possa dizer.
O que é você.


Não dá para entender.
A letra que versei.
Nos lábios que osculei.
E é o que você tem.


Singular.
E único.
Sem drama. 
Me chama.



Incendeia como o sol.
Você é quente como o sol.
De verão.



Me movendo.
Na rua fria.
Em uma noite vazia.
Só tenho a mim.


Vejo um rosto.
Não parece familiar.
Desconhecidos jamais são.


Ao compreender.
Que não dá para esquecer.
O que já perdi.
Você vem para recordar.
Que o que temos para conquistar.
Está por vir.


Consigo abranger.


Tudo que passei.
Em você encontrei.
O que jamais imaginei.
E que é único.


A dama.
Que inflama.
E ofusca a luz do sol.


Ela eclipsa o sol.
O sol de verão.




(W.B.)

terça-feira, 9 de julho de 2013

Quando quiser...



"O sábio envergonha-se dos seus defeitos, mas não se envergonha de os corrigir." (Confúcio)

"A verdadeira maneira de se enganar é julgar-se mais sabido que outros."
(François de La Rochefoucauld)





Há um sentido na dor.
 O momento de calafrio.
O clamor de um alívio.
Um café amargo para ingerir.
Um mal para expelir.


Tento relembrar sua fé.
Olvide me achar quando vier.
Quando vier será insano.
Há algo quente, estranho e novo.


Se vier terá de regressar.
É outro mote, outro enfoque.
Singelo toque.


As mãos falhas levaram-me para guilhotina.
Dilacerou-me uma parte.
Pés gelados não mais sentem.
Pus as fichas em outras cartas.
Conseguiremos contando moedas.


E nosso crime é absolvido.
Se não tiver.
Se não tiver.
Nenhum delator.


Se fizer algo estúpido.
Não esquente, é estranho, é novo.
Se fizer terá de continuar.
Aprimorar, alucinar.


Quando quiser.
Quiser algo único.
Sabe quando, como e onde.
Pois, quando quer se rechaça.
Repele o mal.
E no final.
O toque é outro.


(W.B.)


terça-feira, 7 de maio de 2013

Um quê...tal...




"Se os sonhos fossem cavalos, os mendigos seriam todos cavaleiros." 



 (Provérbio inglês)



Tudo que sei.
Não me importa.
Se não encontrar.


Se fosse um instante.
Que ainda vem.
Eu prefiro imaginar.
Como é o que tem.


E não me importo.
Com outras faces.
Com as novidades.
De velhos desastres.


O sol vem brilhar.
Como uma idéia na mente.
Os braços tem mais calor.
Que os raios que já senti.


Não há retorno.
Quando a gente.
Exorciza o mal.
Afastamos tudo.
Que é trivial.


Abrimos espaço.
Para o raro dom.


Canta e dança.
Sob a luz do luar.
Não me pergunte.
O que sinto.
Pois ainda não sei.


Tudo que de você.
Vem.
É difícil de acreditar.
É um assombro.
Capaz de embasbacar.


Movo o mundo.
Quando ouço seu sim
E retorno.
Ao início do final.


O caminho.
Que se trilha.
Tem uma busca.
Sem igual.


E ainda.
Encontraremos nosso som.


Cantando e dançando.
Em um lugar.
Impossível.
De imaginar.


Não me pergunte.
O que sinto.
Pois só há.
Uma coisa que sei.
É que a quero bem.
A quero sim.
Muito bem.


(W.B.)

segunda-feira, 18 de março de 2013

Elevação








"Devemos aceitar a decepção finita, mas nunca perder a esperança infinita." 





(Martin Luther King)




Não.
Há mais decepção.
Usei armas.
E depois levei para mim.
A arca dos seus lábios
Achei a relíquia dos seus beijos.



Elevei o que sou.
Navegou até minha terra.
Tive coragem de exorcizar algoz.
Sou o azul do seu céu.
E você voa.
Em outra estação.


Comigo aprecia estar.
Não consegue se segurar.
É delével o que chorou.
Sabe que sou.
O que buscou.


Elevação.
Da avaliação.
Da emoção.
Sem alarde.
Tem exclusividade.
Não precisa arriscar.
Podemos criar.
Nossa alucinação.


Agora seus olhos de luz.
Dizem-me em silêncio:
- Eu acredito em você!


É bom.
O desejo.
A sensação.
Fim da lamentação.


O dissabor.
Não há mais.
E agora a gente vai voar.
Sem mortos que ficaram.
Para trás.
Viver juntos algo.
Além da nossa.
Imaginação. 
Dois que são.
Um.
Um!!!


(W.B.)

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Jornada






"Tu és metade vítima, metade cúmplice, como todos os outros."



                                                                                                                    (Jean-Paul Sartre)


Foi uma longa jornada.
Não olho mais para trás.
Plantas sem cores.
Podas ruins.
O silêncio da ausência de sorrisos.


O primeiro mês.
Passa na velocidade da luz.
Depois você sente falta.
De quem tirava.
As nuvens do seu céu.


Tenta rir.
Quando só consegue chorar.
  Sem ar.
Lamenta não ter mais.
Aquela voz e aquele som.


Estive em um deserto.
Sem ter um nome.
   Poucos conhecem o que sei.
É certo que se lembra da fome.
Não causa dor que curei.


E depois de alguns dias.
Incertos são.
Os fins, os meios.
E o que perde.


A história.
Que contou.
A verdade.
O rio levou.
Anseia viver.
Mas se imolar, prefere. 


Sabe o que quer.
Sim.
Sei que.
Contar.
É que não quer.


Eu a achei.
No meio do deserto.
Quando não tinha nome.
Ela não sabia quem
De perto com o mal some.
E causa estupor com o que tem.


Mais uma vez.
Eu a aqueci do frio.
Com poucos metros.
Preenchi seu vazio.


Os planos que fizemos.
Eram simples para mim.
Não haviam sons de sinos.
Apenas nossos sorrisos.


O deserto vira um oceano.
Sem igual.
Mais perfeito nunca se criou.
Não existe para nós triste final.
Apenas as mãos.
      Que uma alma tateou.       
 

Mas.
Cruzei um deserto.
Sem nome.
E agora me sinto bem.
É certo que sou seu homem.
E ela só quer a mim.
E mais ninguém.    


(W.B.)