segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

#blackswan

“Quando eu me despojo do que sou, eu me torno o que eu poderia ser."


(Lao-Tsé)


Um encontro com a própria sombra



Cisne Negro é uma das obras sensíveis, delicadas e irretocáveis, que aparecem de vez em quando para nos lembrar de quão mágico o cinema pode ser em sua magnitude mais perfeita. Perfeição, aliás, é um dos temas centrais nos quais estão mergulhados a complexa protagonista Nina (Natalie Portman), sua dúbia mãe (Barbara Hershey), o ávido diretor de espetáculo Thomas (Vicent Cassel), a interessante antagonista Lily (Mila Kunis) e a ácida e amarga Beth (Winona Ryder).

A busca por perfeição no corpo, no balé, na sexualidade, no reconhecimento de seu trabalho e de sua marca faz com que Nina aprisione-se em um mundo doente, de sofrimento, onde sintomas psicóticos envolvendo indícios de transtorno alimentar, autoflagelação, e alucinações a atormentam, desafiando seus objetivos altos de se tornar a "Rainha do Cisne".

Nina (que nos lembra menina e no filme é acompanhada do jargão de "doce menina", ou "menina meiga") tem a rigidez necessária para tentar conter esses conteúdos assustadores de seu inconsciente. Por isso, apresenta-se como frígida, dura, incapaz de sentir. Mas a história evoca-lhe a coragem de enfrentar suas sombras, tarefa para a qual, em princípio, ela parece não possuir maturidade.

A história coloca lado a lado seu maior sonho e seu maior desafio: para obter o papel principal no famoso espetáculo O Lago dos Cisnes, e de quebra, além de obter reconhecimento por seu duro trabalho, conseguir a admiração definitiva de seu diretor, Nina teria que enxergar seus monstros e entender que perfeição vai além da brilhante execução técnica. Perfeição, diz o enredo, relaciona-se com viver algo com alma, deixar-se tomar pela experiência, ser arrebatado sem chance de reflexão, crítica. Sentir, viver com verdade e intensidade. A perfeição de um espetáculo deve aliar a técnica à paixão, a qual torna real o que seria apenas um personagem.

Encontro com o desconhecido

A menina Nina, envolta em bichos de pelúcia, caixinhas de música, cuidados invasivos da mãe, precisa deixar escapar o controle, perder-se em seu labirinto de emoções assustadoras para ver-se Negra, como o Cisne que não sabia interpretar, para então tornar-se mulher, com verdade, coragem, marcas, que afinal, fazem parte das histórias de todos nós, não é? Esse profundo processo fala de um encontro com a sombra, com tudo aquilo que se nega e desconhece em si.

No caso da protagonista, a sombra contém conteúdos projetados de sua mãe, que também quis ser bailarina quando jovem, mas desistiu do sonho para cuidar da filha. É como se Nina carregasse esse fracasso da mãe, que de certa forma a aprisiona em um mundo infantilizado e sob aparente controle. Entretanto, vê-se claramente o amor da mãe pela filha, mas esse amor é manifesto sob o crivo da doença, da loucura na qual ambas estão mergulhadas.

A mãe é a única que conhece alguns de seus segredos, como o fato de machucar a si mesma, de ferir sua pele. E o segredo entre as duas acaba tornando-se um elemento de manipulação da mãe, que evita que Nina cresça com a justificativa inconsciente de que sozinha ela não dá conta da pressão do mundo.

Ao se ferir, a garota encontra um meio de entrar em contato com seu próprio corpo, pois não consegue fazê-lo de outro modo. Tentou algumas vezes se tocar, entretanto era sempre interrompida tragicamente por uma interferência de seus pensamentos doentes ou pela figura de sua mãe repressora. Essas interferências ocorriam sempre que Nina tentava se soltar, fazer algo fora de seus padrões rígidos. São defesas, que tentam protegê-la do "ataque" do inconsciente.

O sangue, como elemento simbólico da vida e da morte, faz-se presente durante toda a narrativa, mostrando que se trata de um contato entre esses dois universos. O antagonismo entre o Cisne Branco e o Negro são facetas desse desafio de manter-se vivo, consciente dos limites do corpo.

Como se vê, o filme é altamente psicológico e apresenta o universo feminino em suas várias facetas. A "doce menina" frágil, medrosa, acuada diante das possibilidades do mundo, encontra a competitividade feroz e a necessidade de usar armas quando nem queria brigar. As bailarinas, a dança, a mãe, a opositora, a decadente substituída... Estamos falando de mulheres e de seu universo de inveja, obsessão, transtorno alimentar e de imagem, sedução... Um universo complexo cheio de labirintos.

Uma personagem que merece destaque é Lily, a suposta opositora de Nina, com quem disputa o papel principal. Suposta, pois no balanço dos fatos, Lily acaba tendo um papel altamente positivo do ponto de vista psicológico para Nina, pois faz com que ela entre em contato com aspectos muito mal elaborados de sua sexualidade, liberando seus instintos primitivos, como raiva, inveja, tesão, e até mesmo a vontade de matar.

Numa das cenas decisivas há um ferimento com um pedaço de espelho - aquele que reflete, que nos mostra quem somos e simboliza a coragem de assumir sua sombra, ir para a guerra com a força de quem faz o que for preciso para obter a vitória. É quando Nina encarna o lado negro de sua história e não mais vai para o palco representar o Cisne Negro. Ela vai ao palco SER o Cisne Negro. E sai, obviamente, ovacionada, pois finalmente entendeu e atingiu a perfeição. Realidade e loucura puderam, por segundos, se encontrar mais harmonicamente.

Palmas ao diretor Darren Aronovsky. Palmas à Natalie Portman, palmas a todo o elenco. Você, que ainda não viu, corra ao cinema, vestindo-se de coragem.


Clarissa De Franco

12-4-12



"A esperança não murcha, ela não cansa, também como ela não sucumbe à crença.
Vão-se sonhos nas asas da descrença, voltam sonhos nas asas da esperança."



(Augusto dos Anjos)



Há milhões criados.
E alguns próximos.
Erroneamente considerado.
Estamos ótimos.

Coração orgulhoso.
Sem formosura.
É falso mentiroso.
E não tem cura.

Encanto malvado.
Sentimento corrompido.
Um pranto calado.
Sofrimento adquirido.

Pode derrubar.
Mas não igualar.
Pode conseguir.
Mas não resistir.

Convenceu na ausência.
Da presença e de sabedoria.
Blefe divino que um dia.
Mostrará a sua essência.

Somem as auréolas.
Perdem-se as pérolas.
Há estradas sem retorno.
Há as fadas sem contorno.

Agora não chama.
E chora na chama.
Louca a dama.
Outra que ama.

(W.B.)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Mais exceção!



"O desejo, acompanhado da idéia de satisfazê-lo, chama-se se esperança; despojado de tal idéia, desespero."


(Thomas Hobbes)


Shiver

So I look in your direction
But you pay me no attention, do you?
I know you don't listen to me
'Cause you say you see straight through me, don't you?

But on and on
From the moment I wake
To the moment I sleep
I'll be there by your side
Just you try and stop me
I'll be waiting in the line
Just to see if you care

Oh, did you want me to change?
Well I've changed for good
And I want you to know that you'll always get your way
And I wanted to say

Don't you shiver
You shiver
Sing it loud and clear
I'll always be waiting for you

So you know how much I need you
But you never even see me, do you?
And is this my final chance of getting you?

But on and on
From the moment I wake
To the moment I sleep
I'll be there by your side
Just you try and stop me
I'll be waiting in the line
Just to see if you care, if you care

Oh, did you want me to change?
Well I've changed for good
And I want you to know that you'll always get your way
And I wanted to say…

Don't you shiver
Don't you shiver
Sing it loud and clear
I'll always be waiting for you

Yeah I'll always be waiting for you
Yeah I'll always be waiting for you
Yeah I'll always be waiting for you
For you, I will always be waiting

And it's you I see
But you don't see me
And it's you, I hear
So loud and so clear
I sing it loud and clear
And I'll always be waiting for you

So I look in your direction
But you pay me no attention
And you know how much I need you
But you never even see me

Arrepio

Então eu olho em sua direção,
Mas você não presta atenção em mim, não é?
Eu sei que você não me ouve,
Porque você diz que você vê direto através de mim, Não vê?

Mas de agora em diante,
Do momento que eu acordo,
Ao momento em que eu durmo,
Estarei lá ao seu lado,
É só você tentar e me parar,
Estarei esperando na fila,
Só para ver se você se importa

Oh, você queria que eu mudasse?
Bem, eu mudei pra melhor,
E eu quero que você saiba que você sempre continuará do seu jeito
E eu queria dizer

Você não se arrepia?
Você se arrepia
Eu cantarei alto e claro
E sempre estarei esperando por você

Então você sabe o quanto eu preciso de você,
Mas você nunca sequer me viu, não é?
E essa é minha chance final de ter você?

Mas sem parar,
Do momento que eu acordo,
Ao momento em que eu durmo,
Estarei ali a seu lado
Só você me provoca e me para,
Estarei esperando na fila
Só para ver se você se importa, se você se importa

Você quis que eu mudasse?
Bem eu mudei pra melhor,
E eu quero que você saiba que você sempre será do mesmo jeito
E eu queria dizer...

Você não se arrepia?
Você não se arrepia?
Eu cantarei alto e claro
Eu sempre estarei esperando por você

Sim eu sempre estarei esperando por você
Sim eu sempre estarei esperando por você
Sim eu sempre estarei esperando por você
Por você, eu estarei sempre esperando

E é você quem vejo
Mas você não me vê
E é você, eu ouço,
Tão alto e tão claro
Eu canto isso alto e claro
E eu sempre estarei esperando por você

Então eu olho em sua direção,
Mas você não presta atenção em mim,
E você sabe o quanto eu preciso de você
Mas você nem nunca me vê.


(Coldplay - Composição Chris Matin)

Tal_vez



"Quando me for levarei um pouco de ti e deixarei um pouco de mim."


(Charles Chaplin)


Uma vez...talvez.
Você possa entender.
E quem sabe sentir.
O que é confiar.

Talvez.
Quem foi embora.
Para trás não deixou.
Um tesouro bom, ou algum bem.

Relendo decoro, o que conversamos.
Você fazia parte do meu plano.
Agora é muito leve.
O que não penso mais.

Não sou louco, bem.
Faça outros de reféns.

Alguma vez, somente uma vez!
Seu olhar e seu sorriso.
Revelaram a desgraça.
Que no passado, no inconsciente, tem?

Dessa vez.
A esperança se foi.
Nenhum carrasco que pretendeu ou quis, a matou.
Ela ressucita no início de cada mês.

Penso e rememoro.
O que não compartilhamos.
Sobre mim, seu conceito.
Não passa de um engano.

Agora vivo um estado de paz.
Você devia observar, mas não pode apreciar.

Uma única vez, pela última vez.
Existe significado para a felicidade?
Agora fez, um ato que lhe custou.
Seu aliado que nem a teve.

Desistiu, partiu, se desinteressou.

Não faça isso jamais. não repita seus erros jamais.
Quem que é do bem?
Recusou a chance de se libertar.
Quem vai conter seu pranto.
Quando começar a chorar?

Jogou fora a oportunidade.
Não dá para voltar atrás.
Tem valor um sorriso.
Obtido com desgraças e palavras más?


(W.B.)


* Do fundo da pasta azul.

Reze por mim


"A fé é como o amor: não há nada que a force."



(Arthur Schopenhauer)



Só quem leva já sentiu.
O valor e o peso da indiferença.
Meu forte sem sorte.
Por favor não apenas páre.
Sobreturo repare.
Essa triste existência.

Corpos sem nome.
Com a fome a castigar.
Estrelas sem palco.
Anjos caídos.
Lutando, sobrevivendo.
Tentando se alimentar.

Coisa distante ninguém, viu.
Fere em mim, segue o fuzil.

Soca e lava, box e atuns.
Não há mais bosque para seus filhos.
Nada a ver, vai.
Propor outro uso.
O insistente tem de ter.
Muita resistência.

E meu cheiro de mucama.
Destrói a pose de nobre dama.
Costeletas numa face infantil.
É pele sim, bebe no cio.
Repele a mim, queima o pavio.
É olhe aqui!

Só um troco barato.
Não é suficiente.
Para aqueles que têm.
De cuidar de seu neném.

Por pouco a dor.
Repensei se há maneiras.
De dar algum jeito.
Aí senhor General!
Olhe bem.
Analise se responsabilidade tem.
Custaria nada, nem mil.

Espere por mim. eleve seu funil.
Estresse tem fim, não espere compadrio.
Espete para mim.
Espere por mim, eleve seu funil.
Estresse tem fim, não espere compadrio.
Espete para mim.

Vai quem nada quer.
Lindo sorriso.
Para ser usado e para fechar.
Uma peça publicitária.

Só quem levar.
Grande parte dos lucros.
Fugirá dos nossos carnavais.
Ano a ano o espaço é mais.
Distante e fino para pobres mortais.
Só há um fim, derrubar o bolo.

Repartir não saiu.
Dividir para quem contribuiu.
Leve minha parte. Desistiu?
Entregue-se e vá para a Puta que o Pariu!
Persegue-me, me traiu.
Reze pro mim, tio.
Reze por mim.

(W.B.)


*Do fundo da pasta azul.

Eu me lembro...


"Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas."


(Mário Quintana)



Eu me lembro.

Do mal estranho que bem acabou.

Eu me lembro.

Dos escapes que num engano precisou.

Eu me lembro.

Do creme e do batom que se borrou.

Eu me lembro.

De jogar confete nos seus pés.


Mas sei e disse da breve dor.

Infeliz discute e mente a breve dor.

Só comove a mente com breve dor.

Não me quebro mais.


E quem que resiste e é forte?

E quem que consegue entender alguém?

Não ajusto o que pretende e nem quero outro bem.

Quem que sabe do artifício?

Quem que errou ao criar reféns?


Quem disse que seria eterno?

Só não erro digo quem.


Eu me lembro.

E refuto logo onde vai estar.

Eu me lembro.

Levo uma cor para aquele parque.

Eu me lembro.

Dançando sobre o efeito do que sou.

Eu me lembro.

Que nunca entendeu prá onde vou.


Mas sei e disse do leve amor.

Feliz repercute na mente leve amor.

Só comprove a mente com leve amor.

Não me quebro mais.


Quem que se engana que é forte?

E quem que quer discar meu número no fone?


Os finais não tem começo de novo.

O que se quebrou, se acabou.

Quem que insistiu em mais uma emoção?


E quem que realmente se importou com quem afagou?

Talvez prove o seu próprio veneno e talvez comprove como é bom.


(W.B.)

*Kaleygh

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Desejo



"O amor e o desejo são as asas do espírito das grandes façanhas."


(Goethe)


Compreender.
E saber.
O que é abstrato.
Iludir.
E concretizar.
O que se perdeu.
Reencontrar.
Jóia rara de desejo.
Fazer você curtir.
Faz parte dos meus planos.
E meu plano.
É fazê-la só sorrir.

Deletar.
Infernos de sevícias.
Envolver.
Ao carícias dar.
Transformar.
O mundo e sua vida.
Invadir.
O que guarda aí dentro.
Ver.
Raiar o sol.
No firmamento e meu intento.
É te amar e amar.

Um mundo foi embora.
Não há mais nada.
Errar.
Reviver.
Repetir.

Outra manhã.
Perecerá com seu veneno.
Agora não há.
Voltas, idas e partidas.
O paiol.
Não tem mais necessidade.
É triste sofrer.
Com falso amor.
E real dor.

O mundo inteiro lá fora.
Mas aqui ele pára.
Fechar.
Renascer.
E ver sugir.

Outro amanhã.
Com um amar ameno.
Solta o ar.
A revolta não não há.
Ao acatar as carícias.
Agora estou.
Vivendo a realidade.
E contente por ter.
Distinto valor.
E todo seu amor...
Um amor de verdade.

(W.B.)

Jackie



"...Por favor.
Deixe em paz meu coração.
Que ele é um pote até aqui de mágoa.
E qualquer desatenção, faça não.
Pode ser a gota d' água..."



(Chico Buarque)




Jackie, leve o que restou da cor lilás.
Despreze no seu jogo esse peão.
Sentindo feridas, brandindo a vida.
É leve uma opinião.

Não acompanhei suas tentativas.
Eu acho estranho o gosto pelas mentiras.

Acerte os desacertos. Jackie errou.

Eu me lembro do que te dei e você sabe quem.
Sei Jackie, como ser rei.
Minha fé resiste.
Leve o pagão.

Rogo o acordo que fizesse.
E disseste que está sã.
Há novo sim de quem quer amanhã.

A manhã que não vai.
E logo tardou.

Lá vai bem longe atrás.
Foram tormentos que não voltam mais.
O líder tem.
Seu momento de choro.

Acho que despacho sem usual detalhe.

Desacerto o acerto do que dá-lhe.
Não é mal para mim um novo amor.
Tiro minha paz.
Minha Jackie, tirou.
Jackie sou.
Jackie, eu vou.

(W.B.)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Engano


"Em qualquer ação, é coisa detestável empregar o engano."


(Nicolau Maquiavel)


Engano.
Eu pensar que pudesse.
Engano.
Meu. Imaginar.

Engano.
Saber o que você quer.
Engano.
Você desacreditar.

Açoite aflitivo.
Descabido.
O sofrer.
Parei vendo o engano.
Que ninguém vê.

O plano seu.
Achar que era verdadeira.
O plano meu.
Não aconteceu.
Prá vida inteira.
Engano e breu.

Guerreiro ferido.
Volta renascido.
Prá valer.
Achei antes o engano.
Que agora vê.

Qeum crê que no meu mundo.
Os loucos são normais.
Sorri com o que digo.
Somos bem reais.

Apago nossos juízos.
Trago o absurdo para o lado.
Entenda que então.
Vai se arrepender.
Que o pior engano.
É o que consegue compreender.

Engano.
Você sorri sem fé.
Engano.
Pensar que vai importar.

Engano meu.
Pensar que o falso é verdadeiro.
Engano seu.

É um desatino.
Não lhe querer.
É um engano não ter.

Você está iracundo.
Somos desiguais.
Temos outro abrigo.
Somos bem demais.

Apago os desperdícios.
Jogo fora o passado.
Você não pode não crer.
Que o pior engano é não ser.

(W.B.)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Falta de sobra


"Você não pode confiar em seus olhos quando sua imaginação está fora de foco."


(Mark Twain)


Sobra a falta de espera.
Do que não vem.
Sobra a falta da velha história.
Do novo alguém.

Sobra falta de propósito.
Do engano que engana.
Falta o presente da ausência.
Do que não mais quero.

Faltam todas as inverdades.
Do que é real não vem desespero.
Faltam os receios.
Do que ficou para trás.

Falta o regaço.
Do fim do cansaço.
Sobra vida para viver.
Do que não foi vivido.

Creia.
Em quem está ao seu lado.
Creia.
Em quem lhe deu.
Creia.
Em quem está ao seu lado e é seu.

Creia...Creia...Creia.
O seu é meu.

Vai caber.
Do que o seu me cabe.
Vai valer.
Do que nos vale.
Vai saber.
Do que é seu e não sabe.


(W.B.)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Perdi, perdi...mas...


“A perda de um inimigo não compensa a de um amigo.”


(Abraham Lincoln)



Perdi o mundo.
Perdi meu tudo.
Perdi amigo.
Perdi abrigo.

Perdi a casa.
Perdi quem odiava.
Perdi a asa.
Perdi quem gostava.

Perdi o caminho.
Perdi o carinho.
Perdi a direção.
Perdi o coração.

Perdi a amizade.
Perdi oportunidade.
Perdi companheiro.
Perdi um dinheiro.

Perdi ouvinte.
Perdi seguinte.
Perdi o instante.
Perdi diamante.

Perdi por falhas.
Perdi batalhas.
Perdi quase sem ter uma saída.
Mas não perdi a esperança na vida.


(W.B.)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

(Anti) Herói



"O amor é uma loucura sensata, um fel que sufoca, uma doçura que conserva."


(William Shakespeare)


Gosto de ficar ligado.
Como se fosse um fio.
De alta tensão.
Desemcapado, pronto.
Prá chocar.

Me sentir um subversivo.
Louco comunista.
Sem compromissos.
Sem agenda, nem lista.

Alguém bate.
Seu mel me apanha.
É inútil debater.
Preso na sua artimanha.
Nada mais dói.

Pode ver o que crê.
Desligado, desconectado.
Do mundo e da TV.
Desesperado tentando entender.

Qual é o sentido.
De tanto querer?
A vida.
Reserva algum prazer?

É média ou inteira.
Um corpo de sereia.
Já estou farto de repetir.
Com cego que não sabe ouvir.

Plebéia ou princesa.
De Real democracia.
Por favor preste atenção.
Compreenda o som do coração.

Se há sangue nas veias.
Caia na areia.

(W.B.)

Lado a lado


"Não caminhe detrás de mim, posso não te guiar.
Não ande na minha frente, posso não seguir-te.
Simplesmente caminhe ao meu lado."



(Albert Camus)

Há dias longos.
E também noites.
Longas e escuras.
Há momentos que você acha.
Que não suportará a pressão.
Mas jamais.
Você deverá desistir.

Invista em outro valor.
Há surpresas legais.
Esquece da sua dor.
Somos mais.

Somos mais.
Sem o que não é bom.
Não sai do meu refrão.
Inventei nova canção.

Resitir é a melhor ação.
Eu quis fugir do combate.
Mas quem sai.
Não volta mais.

A neve derrete no calor.
É um desconforto diferente.
Repele outra dor.
Pavores não comovem
Não, não.

Os podres corroem.
Ninguém viu a questão.
Não, não, não.
Ninguem prestou atenção.


Por seu risco e conta.
Erra mais.
Sei que uma afronta.
É do vazio que reparte.
Sem ter paz.
E com rancor.

Breve o meu amor.
Sou mais.
Leve que tempos atrás.
Esquece o terror.
Somos mais.

Leve o meu amor.
Uma vez mais.
Com a mão, com sua mão.
Com razão e emoção.
E seu coração.

Leve seu pavor.
Leve meu temor.
Leve este sabor.
Leve esse amor.

Compaixão. Com paixão.
Com razão.
Com emoção.
Com atenção.
Com nosso coração.
E (é) leve nosso amor.


(W.B.)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Escuro



"As terríveis consequências do pensamento negativo são percebidas muito tarde."


(Paulo Freire)


Hey!
Se eu soubesse a essência.
Não consegui não sofrer.
Reis de cores disformes.
Nenhum plebeu restou.

Houve várias razões.
Que se perderam com a emoção.
E sem emoção.
Do mal eu sobrevivi.
E verei o retorno.

Não há mais uma canção.
E nenhum bem.
Vôo para outro norte.
Aqui vou eu.

Não suplica rezas.
Quebrou as promessas.
Que fez para alguém.
Foi revelado o mistério.
Caminha pelo inferno.
Que tanto lhe avisei.

Agora sou em quem sai.
Sorrindo vendo outro sofrer.
O pavio que é lento.
Não pode reacender.

É triste o desespero.
Faz morrer.
Aspire.
Oh, aspire.
Esse ar quente.
Aqui sou eu.

Não há bichos nas trevas.
Criou o que desprezas.
Eu não recomendei.
Foi arrasado o império.
Sozinha no inverno.
O calor não mais tem.

E agora como quer.
Recuperar a fé.
Tanto que renasci.
Que os sóis raiem.
Ele vai reabrir.

Eu não sei o que você quer.
Eu não sei onde vai estar.
Acabarei a encontrando.
Mas... mas... mas...
E vou descobrir.
Descobrir o seu amor.
E algo mais.
Sim, pode escrever.
Sim...sim.
Ainda não sabe como a quero.
A quero.
Sim, sim.
A quero.

(W.B.)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sugestão


"Quantas coisas perdemos por medo de perder."

(Paulo Coelho)

Em outros tempos ouvi adolescentes parvas.
Cunharem rimas pobres sobre pétalas escuras.
Hoje ouvi Vercilo dizer:
"-... Quem disse que a gente precisa perder um ao outro para se encontrar?..."
E antes, acatei a sugestão de um ser que disse que deveria verbalizar o que passa pela minha mente.
Pois bem...
Quando estiver em seu leito de morte, recordando...
Dos milhares de homens que passaram em sua vida.
E se lembrar daqueles "que amou"
Ou que pensou que foi amada...
Pode estar certa!
Ninguém a amou, "nem ama", nem amará como eu a amei!
Repito e reitero.
Amou!!!
Até o fim de seus dias lamentar-se-á!
O arrependimento tardio não adiantará.
As máscaras perecerão.
As desconfianças serão contestações.
Minhas palavras serão silêncio.
A antiga presença será ausência.
Antigos erros serão, como sempre, repetição.
E estarei regozijando em companhia distinta.

(W.B.)

*Sugestão "Táta"