sábado, 11 de dezembro de 2010

Eu sou...




"O amor é filho da compreensão; o amor é tanto mais veemente, quanto mais a compreensão é exata."



(Leonardo da Vinci)




Quem importa como se portou.
E quais portas não abre mais.
Temos talvez mais chaves.
E só sei que não sei.
Das grades de Alcatraz.

Não come erva.
Recomeça a guerra.
Tem um novo inimigo alguém?

Não come erva.
Sinta o dilema.
Alguém se revela também?

Alivio com o chá dos que não tem chance.
De compreender o amém.
Acho que nunca saberão o que sei.
Consegui me livrar dos grilhões.
E de estranhas (in) decisões.
A neve chega quando rezei.
Viu o alívio, mil vozes saúdam.
E compreendem o que sou.

Há bom senso vivo e importante.
Agora sem refém nem pavio.
Agora muda grita o nome.
Só vai os prejuízos.

Não há erva.
Ou menção de espera.
Da solitária companhia de ninguém.

Não há erva.
Dissipa o problema.
Chás são calmantes também.

Viu os pés descalços.
Andando distante, do caminho que andei.
E não sabe por onde passei.
Com os risos do bobo do rei.
E neva como eu não sei.
Viu o delírio da multidão.
Que acredita no que sou?

Eu sou, eu sou.
Sei ser correto, um tanto incorreto.
Eu sou, eu sou.
Sei ser discreto, um tanto indiscreto.
Eu sou, eu sou.
Sei ser certo, confundo e acerto.

Eu sou.
Estou.
E vou...

PS. 11/12 até 2011!



(W.B.)


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Novo dia



"Os únicos limites das nossas realizações de amanhã são as nossas dúvidas e hesitações de hoje."


(Franklin Roosevelt)



Está nascendo um novo dia.
Está vindo um novo dia.
Vem e vem e chega alguém.
Não tem gente que não é do bem.
Só do bem.

Há algo novo que não sei.
Há algo novo, meu rei!

Acorde do sono e do som.
Não há desfalque no meu saldo.
Seu destaque me deixa louco. uh, uh, uh.
Aspiro você do seu jeito.
Sem truque ou destruição.
Sou um tanto rijo.
E quem é o piloto?

Há algo novo que vem.
Há algo novo em quem?

Notas enroladas do piano.
As cordas que comovem não enforcam.
Balanços de parques vazios.
O tempo muda quando tocam.

Há alguém sem.
Há alguém do bem.
Ah, ela realmente é do bem.



(W.B.)

Hipocrisia



"Uma virtude simulada é uma impiedade duplicada: à malícia une-se a falsidade."


(Santo Agostinho)


O que eu digo.
Não deve ser escrito.
Afirmações.
Facilmente desmentidas.
Destruo sonhos.
Rasgo contratos.
Covarde, desisto.
Sou covarde, desisto.

Nenhum natimorto.
Pode mudar tudo.
Recriar o mundo.
Ele vai para cova.
E você vai para onde?

Odeio girassóis.
Eles não me comovem.
Tenho "amigos".
E vamos ver.
Hipocrisia.
Tenho para valer.
Hipocrisia.
Tenho para valer.

Finjo entender.
E ser feliz na vida.
Uso meus truques.
Detesto rock' n' roll.
Acabo de plantar.
Longe de sua vista.
E logo mais.
Vou colher.
Sim, eu vou.
E sem seu amor.

Foi embora o garoto.
Que construiu o mundo.
Não vê como mudo.
Ele não ouve a tudo.
Quero que ele fale, está mudo.
Quero que não se cale, está mudo.

Meus anéis.
Foram com o resto.
Cadê meus amigos?
Quando estou a sofrer.
Hipocrisia.
A tenho que posso fazer?
Hipocrisia.
Que fazer?...

P.S. Nada, absolutamente nada, nessas linhas é autobiográfico.



(W.B.)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Inominável



"A mediocridade não conhece nada melhor do que ela mesma, mas o talento reconhece instantaneamente o gênio."


(Arthur Conan Doyle)




"As primeiras idéias que temos, nem sempre são as melhores, tampouco as definitivas."


(W.B.)






Liberdade



"Sonha e serás livre de espírito... luta e serás livre na vida."


(Che Guevara)


A salvação e a redenção.
Alguns acham.
Que é melhor não saber tudo.
Esperança.
Esperança é algo perigoso.
Esperança pode enlouquecer um homem.
Você se pergunta para onde foram.
O homem olha para o menino que matou.
A música e a verdade não são extirpadas.
Uma obra tem análises inequívocas quando distintas.
O prisioneiro que se liberta é o que vai além das grades.
Já não é de hoje que o mundo não é real.
Exceto no papel e na máscara que existe.
Não volta a flecha lançada.
Não tenha medo de que ela seja encontrada.
Quando se está cometendo um erro, uma falha.
É mais fácil uma, dois...
Perde tempo com perdedores atribulados.
A poeira do novo está no telhado do antigo.
A impressão.
É que não há compressão.
Compreensão.
A cada dia é um novo dia para aprender.
É obtuso.
Quem rejeita a dúvida.
Quem nega ser confuso.
Há pássaros de penas brilhantes.
Deu a todos o presente de sua ausência.
Achei que gostaria de saber.
Mas perdeu o riso na minha face.
Ocupe-se sonhando, ocupe-se realizando.
A moça conta o segredo sem abrir a boca.
São as evidências.
Diz que não é, sendo.
Diz que não quer, querendo.
Diz que é feliz, sofrendo.
Talvez nem queira imaginar.
Um negócio tira o sono.
E a atitude certa é difícil saber qual é.
O tempo pode não voltar mais.
Laços frágeis atam dois mundos.
As citações ganham outros contrastes com a conjuntura.
O terror maior é o da imaginação.
Todo homem é paciência.
Toda tem seu limite.
É difícil conhecer um livro fechado.
Analfabetos queimam e maldizem best-sellers.
Também é assassino quem afasta.
Não é preciso puxar o gatilho.
A esperança é uma coisa boa, talvez a melhor de todas.
E o que é bom não pode morrer.
Eu tenho esperança.
Acabei aqui, mas o novo final é diante do mar.


(W.B.)

4:13



Obra - prima que se inicia...
E é claro revê-la ei.
Sou um universitário de merecidas,
FÉÉÉÉERIAAAASSS !!!


(W.B.)

Céus de amanhã?





"A vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos."


(George Bernard Shaw)


Hoje não tem poesia.
Hoje não tem rima.
Hoje, já não é mais hoje.
É o meio da ponte.
Mas qual meio?
Meio termo, meio louco, meio grama.
Há menos de 3 semanas.
Já se foram 49 dias.
Os segundos de atenção, me tornam primeiro.
Qualquer previsão seria falha.
Voltas, reviravoltas, sem voltas.
Idas solitárias sem bilhete para desembarque.
É regra genitores nos partirem precocemente.
A intensidade transforma a brisa em furacão.
É o vegetal apontando para o alto.
Buscando as alturas.
Com novas figuras, distintas companhias.
Oco, vazio, pronto para ser preenchido.
Com nós que demonstram a força.
Chutes e pontapés contundem sua carne.
No entanto segue incólume seu espírito.
Podemos chafurdar no pântano.
E termos as vestes enlameadas.
Só que a alma tem de ser cristalina.
Como a pura água da montanha.
É cópia, original, sonho, pesadelo...?
Análise, nescidade, concordância, divergência...?
Um encanto com olhos, sorrisos, lábios e palavras.
É multidão de trabalhadoras.
Enfermeiras, professoras, dançarinas, doceiras...
Anjos, Monstros, Demônios, Sereias, Deusas...
Bebo água, me aqueço com o fogo, preciso do ar.
Mas sou todo solo, todo terra.
Pés no chão para deixar a mente voar livre pelo espaço
O céu azul jamais é eterno...
Todo céu é camaleão.
O céu de hoje, o céu de ontem...
E o céu de amanhã?
A consciência e o travesseiro são a dupla do julgamento.
É prescindível o aval alheio.
Quando a voz muda da sua cabeça diz que está errado.
Posso enganar ao mundo, mas minha sombra me presenteia com um sorriso impiedoso, sarcástico...
Já vi o futuro, sei como será, mas ...
Quando fui ouvir, ele emudeceu.
Agora, quando ele foi me falar, ensurdeci!
Depois... venha me cobrar, quando estiver na formatura...
Podem erroneamente avaliar como simples metal.
Não são apenas gases que são nobres.
E o ouro quando é extraído, é simples terra.
Aqueles que não são obtusos.
Entendem a eletricidade e a condução de calor.
Para uns é destruir, já outros é amolar.
A loucura é a genialidade utópica.
A genialidade é a utopia exequível.


(W.B.)




domingo, 5 de dezembro de 2010

Doçura amarga



"A arte da guerra é submeter o inimigo sem combate."


(Sun Tzu)

Por favor, sinceridade.
É um horror falsidade.
Um pouco de verdade.

A paz sangrou.
A paz quedou.
Quanta dor.

Não há albina por aqui.
Corremos para lutar, não pode desistir.
A covardia de um segundo.
Camufla felicidade em novo mundo.

A palavra forte amolece o coração.
A palavra morte lembra do pranto.
O medo encontrará você.
Nos enganando.
Bem que é amigo.
Será para valer?
Cometemos erros sem perceber.
Às vezes, dá prá consertar.

Vejo as ruínas do que construí.
Descontente não me verá cair.
Quem sabe amar, aprende a resistir.
Não venha dizer: - Me arrependi.
O meu latim ninguém ouviu.
O meu latim se desgastou.
O meu latim com sotaque chinês.
Sabe apreciar aquele que fez.

Estão animados.
Com a língua de fora.
Prá frente irão rumar.

Estão renovados.
Com algo novo agora.
Tem gente que sabe amar.


(W.B.)


sábado, 4 de dezembro de 2010

"Escrevinhar"




"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada."



( Clarice Lispector )




Escrever é como o amor. Um prazer acompanhado de uma indissociável dor.


(W.B.)

Tempo




"Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de abraçar e tempo de afastar-se; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz."


( Eclesiastes )


Ruiu o império que poderia levantar.
Capital de devaneio e partes perdidas.
Ilegais escutas.
Lamentos que repetiram.
Fiz a releitura de minha história.
Vocábulos das minhas folhas.
Obstáculos das suas falhas.
O calor no frio convence.
Vislumbro o fim do embuste.
Some o cometa sem retorno.
Indiferentes clamores.
Um vinho após o fetuccini.
É prescindível o tim tim.
Na rede pesca calmas preces.
E revele-me quais ritmos.
O filtro está onde não vês.
A "moça" rumando sem ninguém.
Na "moça" rezando zen.
Há serpente.
Um suspiro inquieto.
Irrisível para mim.
Embale e não fale.
Amor cole aqui.
Oh, estou soando.
A fé martiriza o único cânone.
O frio da brisa.
Em límpidos mares verdes que navegarei.
Não!!!
Regurgite, blasfeme, odeie...

(W.B.)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Vôo


"Uma vez que você tenha experimentado voar, você andará pela terra com seus olhos voltados para céu, pois lá você esteve e para lá você desejará voltar."


( Immanuel Kant )




"Podem tolir minhas asas, mas depois que alçar vôo, nada me abaterá!"


(W.B.)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

(In)sanos




"Que é a vida senão uma série de loucuras inspiradas."



(George Bernard Shaw)


Onde tem final feliz?
E qual é a superação?
Se é bem ruim, queime, destrói.
Agora vou para onde?

Já criei sete agendas.
Sem acordo bilateral.
Uniu corvos e pombos em comunhão.
E o que mais sente?
Os percalços que vem são indecentes.
E os ascendentes?

Já criei sete agendas.
Para a guerra cambial.
Sumiu novos donos da inflação.
Onde tem mais pente?
Descalços correm para a frente.
Toda a gente?

Os insanos estão voltando.
Os insanos estão voltando.
Pode tentar, vai, mas sei que não retrai.

Os insanos estão voltando.
Os insanos estão voltando.
Pode lutar, vai, sei que não se distrai.


Viu dor, com dor.
É feliz?

Sentindo pavor de Califórnia a Paris.
Abre o laptop, fecha a crise o país.
Quer sanidade?
Eu quis, ser Capitão América!

Derrama o suor que percebi.
Sem valor afinal.
Dois mil pobres contentes aqui.
Especulando, que tal?
Quem mais supostamente diz.
Que é errado e que é mal?

Os insanos estão chegando.
Os insanos estão chegando.
Mas eu sei que o pior mal é o que legaliza Reais.

Os insanos estão lutando.
Os insanos estão lutando.
Pois sei que o mal, agoniza nos finais.

Os insanos estão pensando.
Os inanos estão pensando.
Pois querem o sal, das conquistas detrás.


(W.B.)



quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Firmamento




"É preciso sofrer depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de ter amado."



(Guimarães Rosa)


O sol de antes não tem.
Pá de cal, cal!
Tem uma cor disforme.
Só mais um céu sem cor.
E você vem para onde eu for.

Vem mais um degredo.
Vem mais um degredo.
Não há ponte para outras chances.
Vem mais um enterro.
Vem mais um enterro.
Não há fonte atrás do bosque.

Para si abençoa o pecador.
Chego quando refletiu sobre alguém.

E o raio do meu céu.
Não tem dor como a dor dos seus véus.

Tem quais segredos?
Tem mais segredos?
Não há um monte de chances.
Tem mais janeiros.
Tem mais verdadeiros.
Há quem aponte a verdade.
Não há mais medo.
Não estás com medo.
Não conte atrás que não vale.

O sol nesse instante tem.
Sem igual, igual.
Uma cor sem nome.


(W.B.)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Só eu sei...



"A vitória pertence ao mais perseverante."


(Napoleão Bonaparte)


Sou mais uma vez achado como livre detento.
Coquetel molotov nem de cachaça há mais.
Só mais uma vez o bicho não é de poder.
Onde tudo que estudei e constatei que freis não são pardais.

Só eu sei como é frio o abraço que te dei.
Só eu sei o vazio com o braço que andei.

Vi esperando na estação.
A medicação que não vem.
Um mês de preparação.
E minha reputação.
Não pode ir para o ralo meu bem!

Não é chique seus chiliques.
Se tudo que dizes é o que tem.
Contraditoriamente é elementar que a verdade surge logo além.

Só eu sei como é ser livre do inferno.
Hotel ou barraco para quem é livre é o céu.
Só mais uma vez abro um novo arquivo.
Vi seu dom e que tal com sais provar seu mel.

Só eu sei como é o rio raso em que nadei.
Só eu sei o brio falso que desvendei.

Está esperando a estação.
No inverno a floração não vem.
Meses de concentração.
Vou conquistar o coração.
E toda a verdade que ela tem.

Chique sem esquisitices.
Disse que suas madeixas têm.
Algo raro e distinto.
O liso caráter que vejo bem.

Só essa vez.
Só mais uma vez.
Só dessa vez.
Sou quem mais sei.
Sou eu que sei.



(W.B.)

sábado, 20 de novembro de 2010

(Re)Luz ... que s(c)egue...




"Os poderosos podem matar uma, duas ou até três rosas, mas jamais poderão deter a primavera."



(Che Guevara)


Quando encontrar.
Será bom a beça.
Acho que não preciso.
De contendas irreais.

Se eu minto vejo a morte.
Só imbecis não sabem.
Nâo vêem a beleza.
Daquilo que mostrei.
E o que serei.

Acabou com a rima.
E com a irmã.
É velha artimanha.
De um novo amanhã.

Sorriso sem cor.
É que pode mudar.
Seu sorriso é que me faz sorrir.
Com reta, sem curva, vamos partir.

Finjo a dor sentida.
Finjo completamente.
Deleto a desgraça.
Copio um dia diferente.

É triste o desespero.
Na fria madrugada.
O calor da alegria.
Na sua risada, não esfriou.
Acho que esquentou.

A fada do nosso condão.
Traz outra vitória.
Minha pátria quis.
Expurgar aquilo que faz.
Você ser infeliz.

Como um mudo que clama sua companhia.
Como um mudo que se apavora.
O mundo se ilumina, quando chega.
O mundo é outro, a partir de agora.


(W.B.)


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Caminhos (D)




"A persistência é o caminho do êxito."


(Chaplin)


Está lá fora calada ou com alarde?
Está na mata, no copo ou no enfarte?
Está em tudo, no nada ou sobretudo?
Está sozinha?
Está junto?
Está onde longe daqui?
Está vendo?
O que eu já vi?

Está firme, na memória e no humor?
Está vazio, com frio ou com calor?
Está cheio, fatigado, insone?
Está desejando quem a ame?

Será Cinderela?
Será Cruela?
Quem é ela? O que é ela?

Está no tape, ao vivo e em cor?
Está no cheiro, no tempo e no sabor?
Está no meio, está no lado e no muro?
Está encantada?
Está em conluio?
Está onde longe daqui?
Está percebendo?
O que já percebi?

Está no empenho, no horário e de prontidão?
Está no segredo, na cura e no perdão?
Está lá fora, na reta, no enxame?
Está querendo quem a ame?

Na passarela?
Na viela?
É ela? Será ela?

Está agora, com medo, faz parte?
Está gata, olho sua arte?
Está mudo, quieto e sisudo?
Está parada?
Está no mundo?
Está ainda longe daqui?
Está sentindo?
O que eu já senti?

Está imune, à vitória, ao amor?
Está no lacaio, no tiro, no pavor?
Está no gesso, na gaze e no neném?
Está no mundo de ninguém?

Na janela?
Na ruela?
Pode ser ela? Virá a ser ela?

Na aquarela?
Na tela?
Onde está ela? Eu quero ela!

(W.B)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Uns e umas


"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar."



(William Shakespeare)


Um livre arbítrio.
Um triste alívio.
Um martírio extirpado.
Um colírio evitado.


Uma peça juntada.
Uma peça montada.
Uma peça cotada.
Uma peça multada.

Um segredo revelado.
Um degredo detestado.
Uma lágrima solitária.
Uma lástima voluntária.

Uma graça puída.
Uma farsa roída.
Um sentimento passageiro.
Um arrependimento traiçoeiro.

Um conto de fada.
Um conto de nada.
Um canto de luz.
Um canto de cruz.

Uma vida vivida.
Uma vida levada.
Uma vida sentida.
Uma vida sem nada.


(W.B.)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Estrelas



"O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença."


(Érico Veríssimo)



Eu não nego o que faz para si.
Voei no céu da minha boca e não é errado para mim.
Agora o capataz está atrás do que não há mais.
Procura o que não mais tem.
As estrelas do céu do meu bem.


Não falhei em histórias atuais.
Um novo rei dará tiros a mais.
Viu que renovou o algo que só eu sou.
Mas é raro o que vejo bem.
As estrelas do céu do meu bem.


Guerreiro bravo vencendo.
Com pouco medo sei que ele vai resistir.
Em silêncio diz te quero.
Reparei que não há mais inverno.
Os raios estão em outro céu longe daqui.


Some de vez quem trai o dono.
Não há resposta para sua ação.
Armei confuso o aparato que não viu.
Renasci e compreendem.
As estrelas do céu do meu bem.


Em silêncio não desespero.
Salvei-a de um triste inferno.
Tem raios outro céu distante daqui.


Só uma vez atrai o dono.
Aguardarei apenas mais uma decisão.
Amei profundo tudo que proferiu.
Renasci com o que só você tem.
As estrelas do céu do meu bem.
Novas estrelas do céu do meu bem.
Outras estrelas do céu do meu bem.
Todas as estrelas do céu do meu bem.



(W.B.)


"Chega"


"Unidos venceremos. Divididos, cairemos."


(Bob Marley)



Chega de chorar.
Chega prá lutar.
Chega sobre mim.

Chega de sofrer.
Chega prá valer.
Chega até mim.

Chega de iludir.
Chega prá refletir.
Chega a mim.


(W.B.)

Amanhã...



"O futuro têm muitos nomes.

Para os incapazes o inalcançável.

Para os medrosos o desconhecido.

Para os valentes a oportunidade.


(Victor Hugo)


Não são todos que conseguem entender.
As visões que você observou.
Indecisões são angustiantes.
E para quê?
Rumei para o oriente.
Os xingamentos não mudam o que fez.
E agora só há lamentos.
Veja como são os aumentos.
E nossos contentamentos.

Só conheço um pouco da economia.
É muito blá,blá,blá,blá,blá,blá...é.
E como é!
Derivativos e o amor.
Como alguém consegue saber?
Reze e cesse minhas aflições.

Bem livre é ruim?
É livre quem?
Vai arriscar?
Em quais ações investi?

As paixões são para mim.
Coisas que ferem sua carne.
E não há ímã.
Que atrai cara de pau que mentiu.
E será longo o que previ.
Mas quando quiser mais e mais.
Colecionando mistérios.
Estarei bem longe viu.
E não sabe quão longe.
São novas cores que pinto e repito.
O meu céu tem as cores que escolhe alguém.
Não há mais temores.
E ninguém me fere, me fere.
Com o valor.

Então diga.
A sua nota tem que cor?
A desvalorização consegue estremecer.
E provoca fracassos.
Não há farmácia para a guerra que vem.

Contradições para mim.
Estarão presentes no seu futuro.
Eu vejo que amanhã.
Dirá que sentiu.
Por tudo que fez para mim.
Mas isso não lhe pertence mais, não mais.
O perdedor pode chorar e gritar.
Não ouvirei, pois estarei longe.
Estarei bem loooonge.
Estarei bem longe.
Não sabe quão looooonge!

Antevi desastres.
É !
E repare nos seus percalços descalços.
Quer novo final para velha história.
A nação é sua.
E você que vai ter de mudar.

É livre quem ri.
Com uma coisa que só ela tem.
Consegui ganhar.
Minha abolição.
E estou feliz.
E sou feliz.
E vou feliz
É!

As cotações para mim.
Variam de acordo com o critério.
Será nublado e encoberto o amanhã.
Não rogo pelo vil.
Agora as desgraças não terão fim.
Pode ser mal dito.
As suas questões.
Que se exploda.
Não dizem respeito a mim.
É ruim o desespero longo.
Rosas novas estão no meu jardim.

Atenções, simples assim.
Encantam ao vivo e pelo vídeo.
Nunca quero morrer sem o beijo.
De um verdadeiro querubim.
Ela é um raro jasmim.

Evita velhas histórias.
Elas tem os mesmos finais.
Que não vão mudar e não vão mudar.
De você não quero estar longe.
E aqui agora tem algo que percebi.
Dois corações.
Unidos em um só amor.



(W.B.)

domingo, 14 de novembro de 2010

Ser...sou...




"Uma vida não questionada não merece ser vivida."


(Platão)


Como posso não interessar.

Por tudo que me acontece ao meu lado

E que vejo que está errado.

Uma indecisão, uma previsão.

Sei onde vai parar.

Parado no sítio ou na cidade.

Me sinto bem livre.

E é sem igual.

É maneiro sem desespero.

Agora não me sacrifico mais.


Ei, eu sou.

E os itens do passeio?

Agarre primeiro.

Agora sei o que sou.


Onde o mundo acaba.

E algo novo começa.

O smoking amassado.

E o whisky falsificado.

Você fica muito louco.

Querendo um pouco mais.

Conte-me do livro, com todas as histórias.

Que já não escreve mais.

Explique-me e convença-me.

Que atos doidos são banais.


Ei, eu sou.

Liste o seu anseio.

Complete inteiro.

Agora sei o que sou.

A moral não é decisão de um sujeito.

E o que sou?


Já passei por cada horror.

Mas agora reto sigo vou.

Pois sei o que sou.


Várias graças.

Várias desgraças.

Lapidaram minha essência.

E melhor eu sou.


Indo de peito aberto.

Enfrentando chuva e vento.

Apanhando, caindo e batendo.

Sei que bom eu sou.


Rumando em um navio.

Sem retratos que mostram

O quanto envelheci.

Mas apenas maturou.


Onde o sentimento se esconde.

E você pensa que tudo.

Que falo é simples e casual.

Sua vida e minha vida.

Devem seguir juntas até o final.

Se eu lhe disser, lhe mostrar e explicar.

Você entenderá meus planos afinal.

É verdadeiro sem desespero.

Ninguém santificará satanás.


Ei, eu sou.

Livre-se do pesadelo.

Agarre por inteiro.

Limite nem sempre é corriqueiro.


Agora se não sair dessa.

De novo vai sofrer o que já acabou.

Eeei acabou?


Posso rir com aquela que não é minha dor.

Bom que insensível não sou.

Vários rios.

Várias taxas.

Não sabe da água que pagou.

Um filme incolor sem ter nenhum valor.

Tudo que fez, que viveu e que passou.

Remando em bote vazio.

Deixo para trás o néscio.

Que não sabe o que sou.

Mas sei o que sou.


É, você pode crer.

Em tudo que ele lhe falou.

É você vai ver.

Ele não é louco não.


Preciso da confiança.

Para conquistar.

E pôr em prática o que sou.

Vários embates.

Vários debates.

Comprovarão a todos para onde vou.

É, é para valer.

A loucura se perde no final.

É, é para ser.



(W.B.)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Decisão



"Uma vez tomada a decisão de não dar ouvidos mesmo aos melhores contra-argumentos: sinal do caráter forte. Também uma ocasional vontade de se ser estúpido."


(Friedrich Nietzsche)



Não recaia em antigas falhas.

Nomes não retratam.

O sofrimento que provou.


Vaia à crueldade ingrata.

Prova que é linda e rara.

Despreza quem a destratou.


Engolir sapo não é bom.

Com tempero nem com pão.

Agarro um novo dom.

Há outro enfoque para observar.

Quem quer desatenção?

Ou mesmo passar fome?


Evite a decepção.

Antes que seja tarde.

Escuta o teu coração.

Só se ele for sábio.


Ao decidir o tempo pára.

A maldade vai para o ralo.

E o louco fica são.


Faça, preste atenção e refaça.

Deve olhar para a cilada.

Antes de tomar a decisão.


Posso ser seu som.

Ser a sua curtição.

Deixe-me acabar com a aflição.

Pois sei que contente vai ficar.

E um coração.

Que nunca dorme.


Pode ser transformação.

E também transformado.

Há quem resgata.

Da prisão o condenado.


Tome a resolução.

Sem fazer alarde.

E encoste seu coração.

Na ponta do meu lábio.



(W.B.)

Direções


"Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito."


(Martin Luther King Jr.)


Há os que vêem o mesmo filme e esperam um final diferente.

Há os que acham que o triste pretérito é contente.

Há os que são surdos e não ouvem o latim estridente.

Há os que sobrevoam, nadam, persistem e seguem em frente.

O passado não pode ser substituído.

O presente é para ser vivido.

O futuro espera para ser constuído.

E um ensejo não é recuperado, quando perdido.


(W.B.)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Contradição ambulante



"Seja cortês com todos, sociável com muitos, íntimo de poucos, amigo de um, inimigo de nenhum."


(Benjamin Franklin)


Quero o status quo e quero a revolução.

Quero virar as madrugadas arregalado e quero um sonho tranqüilo.

Quero comer algo e quero beber nada.

Quero sumir do mundo e quero a população chinesa a minha volta.

Quero ficar em um silêncio sepulcral e quero extravasar minha revolta.

Quero escutar ninguém e quero ouvir sua melíflua voz.

Quero um pouco de solidão e quero muito sua companhia.

Quero sair correndo sem rumo e quero ficar no meu canto.

Quero a utopia e quero a simples realização.

Quero o caminho preciso e quero o desvio incerto.

Quero sua atenção e quero a omissão alheia.

Quero a sapiência e quero a nescidade.

Quero a compreensão e quero o desentendimento.

Quero várias ausências e quero só uma presença.

Quero o desprezo do mundo e quero só seu amor.



(W.B.)


domingo, 7 de novembro de 2010

Desde ontem


"Eu sou um caminhante lento, mas eu nunca caminho para trás."


(Abraham Lincoln)


Bom que ontem achei a irmã.

Bom que ontem estava sã.

Mas o que é sadio e o que é bem longo?

Bom que ontem estava bom.


Me aponte o que não vês.

Não é mais longe a reunião de polonês.

E se for um louco freguês.

Me aponte então.


Eu tive a chance que não posso errar.

Respeite quem vive com pavio.

Respeite quem sabe onde vai estar.

Viu que o errado nem o certo vai me parar.

Quais filmes ele não criou e anteviu?


Desde ontem é um pouco mais livre.

Ele sabe o que viu, creia no que ele diz.

Não há ninguém com vida no arquivo.

Desde ontem, só, não.


Houve razões para medir pouco.

E agora sinto que são ouvidas minhas preces.

Por ti e pelo doutor.

Não desiste o justo nem com dor.

Não há crimes e nenhum caso se viu.


Que ele encontre outro que sabe ouvir.

Com os ouvidos da alma o que ele diz.

Nada nem ninguém conhece o que vi.

É importante.

Ah, ele viu, como sobrevive.

Será importante, então!!!


(W.B.)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Sei lá...


"A sabedoria das mulheres não é raciocinar, é sentir."


(Immanuel Kant)



Não avalia como já fui longe.

E não encontrei bens iguais.

Não é insana e nem sou louco.

Não estou com uma fútil paz.


Sei lá...

Agarre e seja feliz, sei lá.

Bem como sempre quis, sei lá

Dá-me um sim e então será.


Distrai e não feriu um coração.

Quem tem meio termo para o mal?

Mais de um, afeto que logo viu.

Retorno rouco, pois não tem mais mal.


Sei lá.

Agarre quem a quis, sei lá.

Tem planta na raiz? Sei lá.

Dá-me um sim e então verá.


Há quem preste nesta situação?

Se for não sobra ninguém.

E eu não sei, o que sou ou serei.

O mel dos seus lábios não há igual meu bem.


Sei lá...

Agarre-me pelo nariz, sei lá.

Dê desprezo ao vis, sei lá.

Dá-me o seu amor e constatará.


Sei lá.

Agarre o que fiz, sei lá.

Dê pouco caso ao que ele diz, sei lá.

Dá-me o seu amor e se apaixonará...

(W.B.)






quarta-feira, 3 de novembro de 2010

"Au revoir" (R.S.)


“A distância é como os ventos: apaga as velas e acende as grandes fogueiras.”


(Machado de Assis)


Tchau pra quem vive, já fiz tudo.

A fé de ontem, “babau” se eu for.

Crê e vive, e não há que arrepender.

E não há confetes, sai e já varrem.


Quais pavores, que não diz a ninguém?

Quais, quais horrores que não sei que tem?


Não ando, nem sofro a dor e não sabem.

É meio um debate, não chame de bem.

Danou sutis que resistes ou rasteje mais.

Quem me quer no fio da bita ou em fastio assaz?

Quais temores, que não sabe quando vem?

Quais, quais as dores que não trata com alguém?


Capinou mais um pratinho, assim come mais.

Agarro maus partidos e bom que não tenho tais.

Fez dez pecados, capitais e originais.

Pestes que sobrevivem no altar de cardeais.

Quais sabores, que seu prato não tem?

Quais, quais as cores do retrato de ninguém?


Quais “senhores” e que contrato hein!

Quais, quais amores? Eu saio e saio bem!



(W.B.)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Sois





"Onde reina o amor, não há vontade de poder, e onde domina o poder, falta o amor. Um é a sombra do outro."


(Carl Gustav Jung)


Mulher menina poderosa.

Sem par, maravilhosa.

Com amor.

Vossos olhos de fada

E nada tendes mais valor.


Vossa alma, e vosso olor.

A mais viva cor.

Sois apenas comparada.

A uma bela flor.


Ateus.

São todos descrentes.

Mas são conscientes.

Que vossa luz é um bem.

Que vem de algo além.


Vosso coração.

E o meu acorrentado.

Unido e enlaçado.

Minha prosa não traduz.

Vosso brilho no olho meu.


Vossa forma magistral.

Única, sensacional.

Calma e sem igual.

Vosso intenso calor.

E doce sabor...


Sois de Deus.

Sua maior flor.

A mais sublime tentação.

E vosso terno coração.

Aguarda meu amor.


Vosso juízo, vosso pé e vossa cor.

Sois toda envolvente.

Semeais o amor.

E me deixareis contente.

Com o vosso real valor.


Vossa alva estrela.

Vossa beleza.

Vosso jasmim.

Nada é tão belo.

E nem tem o mesmo esplendor.

Em toda a realeza.


Meu coração.

Ouso abrir-vos.

Espero amar-vos.

Vosso sabor.

Em minha boca persiste.

Para mim Deus.

Há e existe.

Pois vosso amor.

Trazeis a beleza de sonhar.

Ao desejar-vos.

Ao empreender-vos.

Uma eternidade por amar.


Juro a vós e ao poderoso.

Pois sei como é maravilhoso.

Ter, e receber a bênção.

De vossa admiração.


Após sorrir em incertos ensejos.

Só desejo os vossos beijos.

Pois, sois o prazer.

Sois em quem pode crer.

E sois um amor para viver.


(W.B.)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Tente (entender)



"...Não diga que a canção está perdida
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez..."

(Raul Seixas)



A insatisfação derruba o véu da corrupção.

Não tenho talento musical algum, se punheta tivesse nota, nem isso saberia tocar.

Quando menos se espera o bem surge a sua frente e o mal o pega pelas costas.

Só quem mergulha encontra tesouros, o pescador subsiste.

O arrependimento atrasado nunca adianta.

É difícil entender o desconhecido.

Só compreende o sentimento quem não busca entender.

A maior beleza é a transcendental.

Só constrói um mundo novo aquele que derruba velhos padrões.

Quem não enxerga o óbvio só desperta com o toque na pele.

Fortaleça-se hoje para estar preparado para o golpe no seu ponto mais fraco amanhã.

A conclusão sem explicação é nula.

Aquele que tem uma existência medíocre só tem valor quando se mete na vida alheia.

Não há mulher que não seja cara, umas são queridas e outras não saem barato.

A realização dos meus sonhos é o pesadelo dos meus inimigos.

Ninguém perde quando tenta encontrar.

Há missões que têm de ser divinas.

Não há amor que não ressucita.


(W.B.)

domingo, 31 de outubro de 2010

"Espera"



"Se você não demorar muito posso esperá-la por toda a minha vida."


(Oscar Wilde)

Não mais.

Me contundem.

Atos sem fé.

Pois atento.

Não me apavoro.

É para admirar.

De fato.

Quem você é.

Agora enfim.

Não me apavoro.


Você adoraria.

Desde o começo.

Porque adoro.

O seu apreço.

Você comove e

Você é um calafrio.

Não me engano.

Você é a magia.

Debaixo do pano

Ou do lado de baixo.


Não há desastre.

Pois sempre estou.

Lutando por você.

Travaria batalhas.

Até com minotauros.

Porque uma fada.

É muito querida.

Deus Meu!!!

Em noites frias.

Cansado de sofrer.

Sem ter porque rir.

Mas com você no coração.

Não quero outra minha linda.

Não! Não!


Espero poder ter.

Pra afagar, afagar.

E amar você.

Espero poder ter.

Pra afagar, afagar.

E amar você.


Preciso ter e ter.

Pra afagar você.

Espero reter.

Pra afagar você.

Espero amar você.



(W.B.)

sábado, 30 de outubro de 2010

Nossas velas





"Nós não deveríamos deixar que nossos medos nos impedissem de ter nossas esperanças."


(John Fitzgerald Kennedy)


Você entendeu que as outras velas podem se apagar.
Você compreendeu que as últimas velas têm de permanecer.
Você tem conhecimento que a minha não se apaga.
Você descobrirá que manterei a sua chama acesa.
Você sabe que uma vela não diminui acendendo outra.
Você está em meus melhores planos.
Você está próxima do seu maior acerto.
Você está vendo a tormenta se dissipar.
Você está positivamente surpreendida.
Você está a caminho da minha direção.
Você é o sonho sem pesadelo.
Você é a queimadura da minha língua.
Você é a tatuagem do meu pensamento.
Você é a locatária do imóvel.
Você é, se não fosse.

Acho que mais...


(W.B.)



sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Caça


"O poeta é um fingidor."


(Fernando Pessoa)



"É uma pesca de palavras arredias que estão soltas pelo ar."


(W.B.)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Nos (re)encontraremos daqui a pouco...


"A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos."



(Pablo Picasso)


Enquanto viveste não te perdi.
Nem com tua ida me perco de ti.
Sei que neste momento que sofro, PAPAI DO CÉU deve estar feliz, pois findou teu sofrimento e foste para junto dele e, quando eu olhar para as estrelas no firmamento, saberei que a mais brilhante és tu.
Enquanto me criaste como teu neto preferido.
Enquanto fazias "dedêla" quando eu nem sabia falar direito.
Enquanto te lembravas de como era o uniforme da escola.
Enquanto rias das palmadas naquelas perninhas gordas.
Enquanto te recordavas do carnaval quando o Zorro dormiu...
Sempre em silêncio com um sorriso nos lábios admirava tua fala.
O mesmo silêncio que tantas vezes ficaste e engoliste a raiva que tinhas e que minaste tua saúde.
A fala que nunca perdeste apesar dos problemas que enfrentaste.
Com o pouco que tinhas sempre me ensinaste muito.
Tua fé, tua esperança, teu carinho, tua figura, teu exemplo.
Enquanto o mundo me execrava com raiva nos olhos, tu sempre tinhas uma palavra precisa, pois sempre enxergaste o que tenho no coração.
Disseste que eu era explosivo, mas não era má pessoa, já que me conhecias do direito e do avesso, sabias como eu era melhor que a palma de tua mão.
Hoje quando o telefone tocou, não quis atender, como se as ligações que trazem más notícias e não são atendidas tivessem o poder de fazer desaparecer aquele fato que não é nada auspicioso.
Tinha medo de saber que a tua hora havia chegado, mas como me ensinaste o medo tem de ser enfrentado para ser vencido e sermos vencedores.
Hoje parte de mim se foi, se foi não, marcou um encontro para um outro local, mais tarde, não é um adeus, mas um até breve.
Hoje sei que o que passavas aqui terminaste e inicias uma nova história noutra morada.
Hoje as lágrimas rolam pela face e não te tenho para afagar meu rosto dizendo que tudo vai passar.
Hoje sou menos pior do que fui ontem, e melhorarei (ainda mais) amanhã.
Hoje não há perdas, nem derrotas e lá de cima sorrirás ao veres minhas vitórias.
Hoje tenho esse aperto no peito, esse vazio (incomensurável) que vai passar, mas a saudade durará até o dia que a gente se reencontrar.
Até breve "Vó".

Ana Maria da Conceição Laurentino
*15/09/1932 +28/10/2010