quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Um grande homem em grande perigo


"Bebo para afogar as mágoas. Mas as danadas aprenderam a nadar."

(Frida Kahlo)

Pelo mundo ando.
Imensa atenção prestando.
Comigo mesmo pensando.
Com os devaneios conversando.

São as cores na tela.
São as pedras da janela.
São os fogos da vela.
São os vazios da panela.

Sem proteção de cápsula.
Salto livre para a morte.
Achado o rumo do norte.
Sem direção de bússola.

Não há choro em telefone.
Se perdeu o nome.
Não há pesadelo do insone.
Se matou de fome.

Toda uma vida.
De dor, de ferida.
Triste, sofrida.
Adeus na partida.

Me abro, me exponho.
Sou agora quem?
Um brilho medonho.
Sou agora ninguém?

Não me prive de beber.
O cálice da glória.
Não venha obscurecer.
O segundo de vitória.

O fogo queima o tecido.
E a bela face de Salma.
Com serenidade e calma.
Encontrará o perdido.

Almodóvar e suas dores.
Generais e seus horrores.
Frida Kahlo e suas cores.
O mundo sem seus amores.

(W.B.)



segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Que?!


"Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca."


(Oswaldo Montenegro)


Que tem atrás das brumas?

Que brilho escurece?

Que caminhos rumas?

Que sombra resplandece?


Que seria estiagem?

Que é real miragem?

Que gota contamina?

Que é preciso menina?


Que a dor da decepção!

Seja útil ferramenta!

Que finda a tormenta!

E locupleta um coração!


Que se entenda a experiência!

A praga seja exterminada!

Que se cultive paciência!

E ela se deixe ser amada!


(W.B.)


domingo, 26 de setembro de 2010

"Senhor"



"Hey! Mr. Tambourine Man, play a song for me, i'm not sleepy and there is no place i'm going to.

Hei! Senhor Tocador de Tamborim, toque uma canção para mim, não estou dormindo, e não há lugar onde eu possa ir."


(Bob Dylan)


Hey senhor do tambor.

Não quero mais seu ruído.

Não quero meu bolso puído.

Não quero mais seu odor.


Hey senhor do tambor.

Não quero procurar seus abrigos.

Não quero ver meus amigos.

Não quero ter calor.


Hey senhor do tambor.

Não quero mais a loucura.

Não quero sua fatura.

Não quero mais seu favor.


Hey senhor do tambor.

Não quero mais porcaria.

Não quero mais baixaria.

Não quero mais sua cor.


Hey senhor do tambor.

Não quero mais sinceridade.

Não quero mais (in) verdade.

Não quero mais seu doutor.


Hey senhor do tambor.

Não quero mais hipocrisia.

Não quero sua idiossincrasia.

Não quero mais seu sabor.


Hey senhor do tambor.

Não quero mais aflição.

Quero paz para meu coração.

Quero dela o seu amor.


(W.B.)

A taça



"In vino veritas est"


(No vinho está a verdade)


O som na taça.
O lábio no artefato.
O olho para o céu.
O segundo de celebração.

O início da graça.
O corpo observado.
O levantar do véu.
O instante de vibração.

O silêncio clangoroso.
O sorriso mensageiro.
O calor aconchegante.
O prazer do sabor.

O buquê generoso.
O brilho verdadeiro.
O rubor desconcertante.
O trago do amor.

(W.B.)

Um dia alguém vai saber para o que serve



"A vida é o pânico num teatro sem chamas."


(Jean Paul Sartre)


Como o palhaço chora.
Sofre bem lá dentro.
Sofre pelo mundo afora.
Como sem ter cabimento.

Como dançam as mãos.
Balé de gritos e gestos.
Passos aflitos sem afetos.
Como pedidos vãos.

Como quebra promessa.
Concorda com desconfiança.
Aniquila a esperança.
Como é calma com pressa.

Como antigo desbravador.
Aporta em águas incertas.
Desfaz atuais descobertas.
Como (in) concebível valor.

Como novas diretrizes.
Exercício de desiquilíbrio.
Suavidade de doce martírio.
Como opacas matizes.

Como na época de paz.
Oxidação do velho paiol.
Bússola falha, luz sem farol.
Como servia, não serve mais.


(W.B.)


sábado, 25 de setembro de 2010



"Há mais mistérios entre o Céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia."


(William Shakespeare)


Há algo novo a ser descoberto.
Há o sonho a ser realizado.
Há o motivo certo.
Há o equívoco do passado.

Há necessária evolução.
Há o momento presente.
Há um novo coração.
Há reserva para novo ente.

Há perspectiva futura.
Há funeral de criatura.
Há um sentido e valor.
Há um "sincero" amor.


(W.B.)

"Visão"


"É tão fácil enganar-se a si mesmo sem o perceber, como é difícil enganar os outros sem que o percebam."

(François de La Rochefoucauld)



Vejo hoje o que serei amanhã.
Vejo hoje como está e como estarei.
Vejo a verdade sob a mentira.
Vejo o afago ante a indiferença.
Vejo o caminho para ser trilhado.
Vejo onde vou chegar partindo de onde estou.
Vejo o presente com as costas para o passado.
Vejo o que pensam de mim e sei o que sou.
Vejo que as palavras se perdem.
Vejo a renovação da esperança.
Vejo que as atitudes permanecem.
Vejo o espelho nos olhos de uma criança.
Vejo a revelação que chegará.
Vejo a falibilidade do plano.
Vejo que o insensível chorará.
Vejo a realidade contrapondo o engano.


(W.B.)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Agonia


"O diabo desta vida é que entre cem caminhos, temos de escolher um, e conviver com a nostalgia dos outros noventa e nove."


(André Gide)

A união transcende o espaço.
Um animal agoniza.
Um doce vem para a língua.
A imaginação negativa.
Exercício de júbilo.
A brisa fria percorre seu rosto.
Como a carícia dos meus dedos.
Sua dicotomia.
Fascina completamente.
Um disco toca a velha canção.
Uma sem sentido, desconhecida.
Sem sucesso e sem razão.
Se não é margarina.
Porque está delicia?
É uma letra estranha e esquisita.
Que não fala da minha vida.
Se os olhos são os espelhos da alma.
Seus espelhos refletem o que sou.
Fazem ver o que você tem de melhor.
E fazem ver que recomeçou.
Meu relógio não corre mais.
Queria voar até você.
Na metrópole inteirorana.
Não haverá escapatória.
Já é o título do livro.
Faltam ensejos, acertos e ajustes.
Planos de ação.
Planos estratégicos.
Furados, mirabolantes.
Planos de realização.
Voando alto nas nuvens.
Sei onde os répteis terminarão.
Administrarei tristezas.
Encontrarei soluções.
Multiplicarei contentamentos.
Não estou cursando agronomia!!!

(W.B.)



MORTOS E (NÃO) FAMOSOS


"O homem não morre quando deixa de viver, mas sim quando deixa de amar."

(Charles Chaplin)


Respiro, pode ser o último suspiro.
Separados, esmagados por um trem.
O que procuram seres mortos?
Longe há vida sem falsidade.
A meia luz do quarto.
As cinzas de um cigarro barato.
E a ponte para o mundo.
Pálida, fria e virulenta.
Aldeia perdida de colonização turca.
Não preciso do tempero do construtor.
Afaste essa sujeira.
Meu céu mudou de cor.
O campo aberto oprime meu corpo.
Sufoco com o furacão de idéias.
Olhos abertos.
Miram o teto.
Futuro incerto.
Não sei quem detesto.
Carteiros novatos.
Um dia acertam o logradouro.
Ela fica louca tentando entender.
Resiste, insite e persiste em errar.
A fumaça é bailarina na coxia.
Quando tudo é vazio.
Seu saco se enche fácil.
Birra,cinsimo, mentira, egoísmo...
Admiração, ruína, constatação...
Arrependimento, realidade, sofrimento...
Escopo, caminho, topo...
Qual bombeiro salva suicida?


(W.B.)






quarta-feira, 22 de setembro de 2010

ATENÇÃO




http://bandnewsfm.band.com.br/pop_audio.asp?MMS=http://www.bandnewsfm.com.br/audio/JUCA_1709.mp3&ID=359671

Vale a pena!

(W.B.)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Sonambulismo


"O sono da razão produz monstros."

(Goya)

Não é necessário Scalibur.
É preciso Rei Artur.
Não é necessário dor.
É preciso valor.
Não é necessário anuir.
É preciso evoluir.
Não é necessário aquiescer.
É preciso compreender.
Não é necessário inovar.
É preciso amar.

(W.B.)

Feridas


"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade."


(Carlos Drummond de Andrade)



Sempre toda dor.
Nunca é como imaginei.
Não serve o analgésico que tomei.

Podemos nos iludir.
Fingindo tudo entender.
Um dedo na ferida.
Sempre faz gemer.

Não me desaponte.
Nem me cause problema.
Você é a menina.
Que eu quero encantar.

Acabar com sua dor.
Ouvir você dizer: - Sim.
Ser o seu doutor.
Fácil e simples assim.

Você não sabe que alguém.
Sempre guarda um segredo.
Nem toda revelação.
Traz prazer ou medo.

Você sabe o que é o amor?
Não consegui entender.
Felicidade nessa vida.
Se resume a enriquecer?

Por mais que me pragueje.
Por mais que queira me odiar.
Estou solto no espaço.
Livre para voar.

Encontrarei o amor.
Quando disser sim.
Você vai gostar.
Do início até o fim.


(W.B.)

domingo, 19 de setembro de 2010

Semana


"O tempo não passa de ilusão."

(Albert Einstein)

Prova, vida nova.
Teste integrado, resultado.
Trabalho, porra, caralho!
Menina, quer gelatina?
Surpresa, que beleza.
Loucura, muita frescura.
Tiro, suspiro.
Pé na jaca, ressaca.
Irritadiço, feitiço.
Canto, encanto.
Visita, esquisita.
Recordações, projeções.
Imprevisível, risível.
Enfermeira, de primeira.
Conto de fada, piada.
Paciência, persistência.
Esperança, perseverança.
Felicidade, sinceridade.
Hipocrisia, outro dia.
Palhaçada, molecada.
Vingar, sem dançar.
Observadores, senhoras e senhores.
Indefectível, e indescritível.
Sem pose, meu doce.

(W.B.)



sábado, 18 de setembro de 2010

7 "Segundos"



Parvoice, esquisitice, burrice.
Ilusão, utopia, constatação.
Nescidade, hipocrisia, falsidade.
"Certeza, sinceridade, razão."
Perspicácia, inteligência, revelação.
Descoberta, mente aberta, iluminação.
Observação, verdade, evolução.

(W.B.)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Diferença



São muitos os que falam com Deus...busco ouvi-lo...

(W.B.)