segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Razão


"Não há nada no mundo que esteja melhor repartido do que a razão: toda a gente está convencida de que a tem de sobra."


(René Descartes)



A razão é difícil entender.

Porque só fico feliz.

Ao lhe encontrar.


Não sabem que choro.

Enquanto sorrio.

Quando disser:

- Sou sua.

Acabará o fastio.


Talvez apenas nesse instante.

Mudará do minério.

Para o diamante.


Padece.

Quem desconhece.

O que é prazeroso.

E que não revelo.


Quando exterminamos a perda.

Encontramos para longa busca.

Um insuspeitável fim.


(W.B.)

domingo, 27 de novembro de 2011

Um anjo

'"Se as coisas não acontecem como desejamos, deveríamos desejá-las do modo que elas acontecem."

(Aristóteles)


Eu não sei. Quais são seus desejos. Nem porque perdeu a fé. Mas sei que sou. Aquele que a silenciou. Com um bem que não sabe o que é. A causa de uma dor. Rende-se à observação. E não precisa carregá-la. Para onde for. Pois o que nos fez sofrer. No passado deve se perder. Seu presente ainda não desembrulhou. Sei que buscou. Uma proteção. Velha afeição. Mas não as encontrou. Só achará quando disser. Agora, pegue-me. Jamais largue-me. Pois de você, eu sou. O esperava para salvar-me. E levar-me para seu céu. Todas as preces que fiz. Pensei que ele não pudesse entender. Ele se compadece ao me ver triste. Um louco bom. Que findou o mal de um modo estranho. Toda filigrana. É uma prova cabal. De que anjos podem descer. A terra para nos fazer crer. Suas armas depôs e se desramou. Para minha proteção. Ante a minha afeição. Ao que mais suplicou. Nosso frio cessou. Em um beijo quente. Em um futuro presente. Juntos acabamos com o mal. Eu sei que sente. A saudade de voltar para o céu.
(W.B.)

sábado, 26 de novembro de 2011

Outro degustar




"As mulheres existem para que as amemos, e não para que as compreendamos."


(Oscar Wilde)


Quem sabe os vocábulos que podem fazê-la entender.
O que um louco imagina tem valor.
Destruído, abatido, sigo afinal.
Não há comprimido para meu mal.

O amanhã passou e você não viu.
Um dia repetido, dividido.
Pelo instante que nos uniu.

A porta que se fecha
Pode não mais se abrir.
O fastio e o vazio.
É impossível definir.

Gosto do gosto gostoso.
De gostar.
Gostei a contragosto.
Como agora desgostar.

O gosto do bom gosto.
Gosto de degustar.
O mundo fica lá fora.
Não pode nos encontrar.

Tenho de iludir, sorrir.
Enquanto desejo chorar.
O que tenho aqui.
É aqui que vai ficar.

Em outra vez a quietude.
Pôde por mim discursar.
Amor e valor são coisas fáceis.
Apenas de se rimar.

Gosto do gosto gostoso.
De gostar.
Gostei a contragosto.
Não há como desgostar.

O gosto do bom gosto.
Gosto de degustar.
O mundo vai embora.
No mel do seu olhar.

A promessa nasce.
Nasce com a missão de se cumprir.
Desconto as contas.
Sei o que tem para dividir.

Uma vez eu disse.
Que é engodo essa história de amar.
Seu amor, meu doce amor.
Obrigará a me retratar.

Gosto da sua eloqüência.
Do seu silêncio.
E do seu falar.
Gosto do que há para gostar.

O mal de um louco apaixonado.
É viver em um deserto.
Com uma existência repleta de sede.
Sede de amar.

O receio e o dissabor.
Podem nos assombrar.
Porém o seu sabor.
Deve se apreciar.

(W.B.)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Que...


"O progresso não é senão a realização das utopias."


(Oscar Wilde)


Que os maus não tenham compartilhamentos.
Mas os bons sejam desfrutados com raros risos e lenços.

Que a dor passada não seja sentida.
Mas o futuro tenha alívio impossível de descrever.

Que eu não veja o que semeio.
Mas que meus sucessores colham um mundo melhor.

Que o mistério não seja revelado.
Mas o nobre e caro desejo seja permitido.

Que a nossa noite não tenha devaneios.
Mas a realização à luz do dia.

Que nossa luta não tenha mortos nem feridos.
Mas apenas a fadiga do cumprimento do dever.

Que não me torne duro com a crueldade.
Mas me sensibilize com seus olhos cor de mel.

Que o convívio não traga pesar.
Mas instantes eternos de um deleitoso prazer.

Que a verdade não se apague.
Mas seja o sol que vence as nuvens.

Que eu não diga que não tenho medo.
Mas que encontre a coragem de me perder nos seus braços.

Que a felicidade quando bater a minha porta, não parta.
Mas me encontre como porteiro.

Que a minha companheira não seja minha.
Mas que eu seja dela e sejamos um do outro.

(W.B.)

domingo, 20 de novembro de 2011

Melhor olhar



"Amar é querer estar perto, se longe; e mais perto, se perto."



(Vinicius de Moraes)



Madeixas de jasmim.
Acariciada.
Em um segundo a eternidade acabou.
Para longe voou.
Sem ter asas.
E para outras plagas.
Tenho de partir.

Segredo, mistério.
Parca conversação.
Atados por nenhum contrato.
Sacia sede de bom trato.

Triste e atroz é a dúvida.
Rever lábios de camaleão.
Quando estão cerrados.
Bradam apenas interrogação.

Somos mais.
Os navios que não tem cais.
Neste vasto mar.
É Hera.
Muda o tempo.
Serena extermina.
Bela aquele que atiça sua fera.
Leva para o céu.
Quando pousa os olhos.
Os olhos cor de mel.

Existe destino ou só desatino.
Responda a quem indagar.
É bom.
Tirar dos seus lábios seu batom.
Ter o que compartilhar.
E ser o que merece seu melhor olhar.

(W.B.)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A_noite_(s)_cerá




"A vida é como o vinho: se a quisermos apreciar bem, não devemos bebê-la até à última gota."


(Lord George Byron)


Detesto o pretexto.
Protesto e contesto.
Leio o texto, presto.
Atenção ao contexto.
Gesto olhar.
Olho o subtexto.

Diz os sabores.
Dos dissabores.
Entediada.
Perde nada.

Mais dez pedidas.
Faz despedidas.
Curto assombro.
Surto na sombra.

Meço o recomeço.
Anexo o desconexo.
Equeço que careço.
A que preço é o apreço?

É pedra rara.
Jóia cara.
Anoitecerá.
E a noite será...

(W.B.)

sábado, 12 de novembro de 2011

Ela...




"Aos olhos da saudade como o mundo é pequeno."

"Existe uma certa glória em não ser compreendido."

"O amor é um crime que não pode acontecer sem cúmplice."


(Baudelaire)


Ela que me dá forças.
Não posso descrever.
Quando triste sorrio.
Vendo-a na distância se perder.

Ela me dá forças.
Muitos argumentos para crer.
É a ausência de raiva.
Uma beleza de viver.

Ela me dá forças.
Um calafrio de prazer.
Antevejo lábio de rubi.
Encarcera meu entender.

Outra vez desata nós.
Desaba meu juízo ao sorrir.
Forma graciosa de olhar.
É preciso dividir.
Para propagar.

Ela pune os estultos.
Quer carinho de um só.
Acha lógica no absurdo.
Reduz néscios a pó.

Ela é a moça, dentre as moças.
O martírio consegue findar.
Vejo que arde sentir.
Ela é de se admirar.

Desta vez estamos sós.
Nosso mundo a gente inventa.
Espera curiosa para indagar.
Ninguém pode vislumbrar.
O poder de nossa tormenta.

Ela só sabe amar.
Quem sabe apreciar.
Ela iluminará o mundo ao sorrir.
Quando me (re) encontrar.

(W.B.)




domingo, 6 de novembro de 2011

Liberdade


"Há momentos infelizes em que a solidão e o silêncio se tornam meios de liberdade."

(Paul Valéry)



"A falta de liberdade não consiste jamais em estar segregado, e sim em estar em promiscuidade, pois o suplício inenarrável é não se poder estar sozinho."

(Dostoievski)



Uma vez mais.

À beira do convés.

Prendo o que liberto.


Libertar.

É entregar reféns.

Entrego me liberto.

Liberta viria.


Trazendo apreço.

Velho recomeço.

De paz e alegria.

Em todo canto.

Tem seu encanto

E sua magia.


Tem liberdade.

Quem aprisionou.

No peito o prazer.

Não há inverdades.

Tampouco absurdo.

Libera o cadeado.

A chave se perdeu.


Um banquete que vem findar.

Dieta à base de água e pão.

O prazer da despedida.

É a certeza do reencontro.

Em outra ocasião.


Viver é sofrer, padecer.

Se alegrar e chorar.

Viver é crer, é ver.

Se apavorar e confiar.

Em quem liberta você.


(W.B.)

sábado, 5 de novembro de 2011

(Im) Paciente



"A paciência é amarga, mas seu fruto é doce !"
(Rousseau)




"Aquele que tiver paciência terá o que deseja."

(Benjamim Franklin)



Quando achamos que o carma.
Se findará com uma arma.
A gente se engana.



Você fatigada e possessa.
Do mundo lá fora.
Que é boçal.
E sem graça.
Pensa que é insana.



Quando aguarda o que não vem.
A doçura de outro bem.
Oculta sua essência.
Tudo é um bando atroz.
O eu não se transforma em nós.
Somos loucos por excelência.



Terá o que ninguém pode ter.
Verá o que só um cego pode ver.
Já está cansada de perceber.
Aflita reclama.
Mas por quem chama?




No seu momento de destempero.
Vendo a beira do abismo em desespero.
Só suplica quem clama.
E multiplica quem ama.

(W.B.)