domingo, 27 de março de 2011

(Des) Confiança


"Amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor."


(Vladimir Maiakóvski)



Eu vou conquistar o mundo.

O oceano é uma lágrima.

Um caminho mudo.

Ao virar uma página.


Eu vou lançar os dados.

O ódio é dos inimigos.

Cúmplices não são azafamados.

Vêem as verdades dos desmentidos.


Eu tenho a chave.

A nescidade é paredão.

Voo livre como a ave.

Pouso no seu coração.


Eu vejo o sol surgindo.

A treva teme a verdade.

O espelho refletindo.

Não distorce nossa felicidade.


Eu não preciso explicar.

Você sente. E me ouve.

Amada, sabe amar.

Entende o que sou, que foi e o que houve.


Eu sou o vento na sua loura madeixa.

A bela que é fera.

Misteriosa como gueixa.

Encantadora e sincera.


Eu sou a revolução.

A cabeça se perde.

É prescindível a mensuração.

Nosso amor não se mede.


Eu vi a hipocrisia.

O irreal sentimento.

Tudo morre um dia.

E a noite traz arrependimento.


Eu iço a vela.

O sino badala.

Mantenho acesa a vela.

A esperança não se cala.


Eu sou o desejo.

A dose de pura.

O doce do beijo.

O veneno que cura.


Eu vi a cavalaria.

Empunhar o escudo e a espada.

Despreze covardia.

De bruxo e de vaca.


Eu escuto um som.

O sussuro da sua voz.

Eu sei o que é bom.

Eu sou melhor, quando somos nós.


(W.B.)

Nenhum comentário:

Postar um comentário