segunda-feira, 4 de julho de 2011

Céu


"Nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o teu riso, porque então morreria."


(Pablo Neruda)



Somos pequenas peças.
Sentindo a aflição.
Somem os trilhos do seu trem.
Esperamos nas ante-salas.
No final você vem.

Somos incomparáveis.
Um chapéu sem cor.
Vai parar de repente.
Na cabeça de outro alguém.
A resposta da questão.
Estou acima do mal e do bem.

Levo para o céu.
E na terra deixo a dor.
A levo para o céu.
Ao precisar sabe o que sou.

Somos a salvação.
Não há temor.
De algo que não sei.
Saímos de desastres, ilesos.
Como a reputação de um frei.

Somos esdrúxulos.
No meio de seres banais.
Os outros não nos entendem.
Separei em unidade.
Definiu como ninguém.

Lá no céu.
Brilha seu valor.
Lá no céu.
Cintila seu calor.
Lá no céu.
A terra só vê um.

E pode chover afinal.
Um novo abrigo encontrou.
Sem memórias de velha fé.
Ou preces de louvor.
As gotas vêm nos lavar.
Abençoei o que em mim não jaz.
Não há medo, nem susto.

No meu céu.
Há águia e condor.
No meu céu.
Só há lugar para um.
No meu céu.
Ela é um amor.
No meu céu.
Iguais não há nenhum.

(W.B.)

#beyourself

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