"Só nos curamos de um sofrimento depois de o haver suportado até ao fim."
(Marcel Proust)
Um transeunte solitário de desfeitos sonhos.
Noites em claro de nebulosidades.
Sem resquícios de júbilos pelas trilhas.
O fardo pesado curva as pernas.
Um clangoroso silêncio acompanha o vazio.
Vejo as alamedas se transformarem.
O raro metal é sem valia.
Quando o sino badala meus olhos se cerram.
Não há manual de instruções para a vida.
Meu mar é de pirata.
Águas tenebrosas e rotas com tormentas.
Sou inseto sem lugar, sem ar, sem terra.
Onde meus brados se assemelham a urros de fera.
À noite é mais um frio, mais uma dor e mais um vício.
Minhas armas estão depostas.
Os desejos sobrevivem apenas em minhas retinas.
Vil diamante diante de músculo de platina.
A fronteira indecisa olorosa.
Um buquê inebriante.
Da dor persistente do desencontro.
A cigana enrosca a saia.
Insólitas essências e enganosas aparências.
Sigo buscando o bem no impuro.
Se meus gestos foram desentendidos.
O entendimento improfícuo.
E meus vocábulos em vão.
Resta-me apenas calar.
Ante a luz do seu pesar.
E sofrer.
Seguir, sofrer sem definição.
(W.B.)

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