quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Ausência de ar






"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."


(Carlos Drummond de Andrade)




"O sábio procura a ausência de dor e não o prazer."


(Aristóteles)


Anseias que eu viva sem ar.
Anseias viver sem mágoa.
Encantaria-me não acertar em erros.
Encanta-me ver-te luzir.


Sinto que quedo.
Malho em frio ferro.
Inclemente inverno.
Sem teu calor.


Anseias que eu viva sem ar.
Anseias acalmar a aflição.
Anseias não ter pesar.
Encanta-me ser tua razão.


Anseias o fim da farsa.
Anseias voar sem asas.
Anseias render-te sem trégua.
Encanta-me fazer-te sorrir.


Clamo pelo teu socorro.
Aos poucos morro.
Ajoelhando suplico.
Aniquilar esta dor.


Anseias alguém para amar.
Anseias a calma para a inquietação.
Anseias o fim da sede com minha água.
Encanta-me tua lisa emoção.


Como sobrepujar um inimigo.
Com um golpe entregar-te à paixão.
Como abrigar-te em meu abrigo.
Encanta-me morar em teu coração.


(W.B.)

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