domingo, 17 de fevereiro de 2013

Jornada






"Tu és metade vítima, metade cúmplice, como todos os outros."



                                                                                                                    (Jean-Paul Sartre)


Foi uma longa jornada.
Não olho mais para trás.
Plantas sem cores.
Podas ruins.
O silêncio da ausência de sorrisos.


O primeiro mês.
Passa na velocidade da luz.
Depois você sente falta.
De quem tirava.
As nuvens do seu céu.


Tenta rir.
Quando só consegue chorar.
  Sem ar.
Lamenta não ter mais.
Aquela voz e aquele som.


Estive em um deserto.
Sem ter um nome.
   Poucos conhecem o que sei.
É certo que se lembra da fome.
Não causa dor que curei.


E depois de alguns dias.
Incertos são.
Os fins, os meios.
E o que perde.


A história.
Que contou.
A verdade.
O rio levou.
Anseia viver.
Mas se imolar, prefere. 


Sabe o que quer.
Sim.
Sei que.
Contar.
É que não quer.


Eu a achei.
No meio do deserto.
Quando não tinha nome.
Ela não sabia quem
De perto com o mal some.
E causa estupor com o que tem.


Mais uma vez.
Eu a aqueci do frio.
Com poucos metros.
Preenchi seu vazio.


Os planos que fizemos.
Eram simples para mim.
Não haviam sons de sinos.
Apenas nossos sorrisos.


O deserto vira um oceano.
Sem igual.
Mais perfeito nunca se criou.
Não existe para nós triste final.
Apenas as mãos.
      Que uma alma tateou.       
 

Mas.
Cruzei um deserto.
Sem nome.
E agora me sinto bem.
É certo que sou seu homem.
E ela só quer a mim.
E mais ninguém.    


(W.B.)

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