quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Não há nada



"A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos."


(Picasso)


Que se faz quando se está mal?
Dividir o temor até o final?
Persiste, resiste sem cabedal.


O que se viveu não regressa mais.
O mágico tem segredos banais.
Se dissesse e quisesse voltar atrás.
Diria que é para frente que se vai.
Não há ódio, desprezo ou amor.
Pois jamais é o mesmo sabor.


Não há nada em mim.
Que não amou tudo em você.
Amou a curva do seu sorriso.
A ausência de juízo.
Seu jeito louco e imperfeito.
Sei que sorriu enquanto estava sofrendo.
Sei que ganhamos enquanto estávamos perdendo.


Fez um sinal para mim.
E afinal você viu.
Como se faz para ter céu azul.
Quando raios iluminam o escuro.
Um pedinte sabe que não pode ter tudo.
Não sabe se é bruxa ou musa.
Tem a sensação que está confusa.


Seguindo. Pelejando.
Contra Deus e o mundo.
As redes agora.
São lançadas em outros mares.


Não há nada em mim.
Que não amou tudo em você.
O brilho do seu sorriso.
O afago impreciso.
Serenas feições e afeições.
Sei que ruiu o que estava se erguendo.
Sei que esfriamos o que estava aquecendo.


Cartas queimadas.
Palavras em cinzas.
Arde o passado.
Lembranças findas.


Será que há.
Enfim.
Um afeto por você.
Um antigo regozijo.
Um novo esconderijo.
Outro rosto e mesmo gosto.
Sei que não estou entendendo.
Sei que é surreal o que está ocorrendo.


Fez um sinal no fim.
Sem adeus, partiu.


(W.B.)




Nenhum comentário:

Postar um comentário