"Existe no silêncio, uma tão profunda sabedoria que às vezes ele se transforma na mais perfeita resposta."
(Fernando Pessoa)
"Sou companhia, mas posso ser solidão.
Tranquilidade e inconstância, pedra e coração.
Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono.
Música alta e silêncio."
(Clarice Lispector)
No silêncio.
No silêncio.
No silêncio.
No silêncio tenho um mergulho profundo.
Silêncio.
Frágil como um cristal.
Frágil como um cristal.
Deixo-te cobrir as feridas.
Que voltaram.
A arder.
Ajustaste tuas velas.
Para seguires mar além.
Uma névoa espessa não te deixa ver claramente.
Não és refém quando o grilhão quebra.
Porque agora somos outros.
Pus um pouco de luz.
No que era confuso.
Acolhendo-te como um protetor.
Sei que não quer, pesaroso sorrir.
Dance uma canção.
No teu ritmo predileto.
Não deves, satisfação a ninguém.
Não deves, satisfação a ninguém.
No silêncio.
Acendo um incenso à noite.
Vejo o som ecoando no quarto.
Rememorando um açoite.
Sempre temos chances de novos planos.
Pode ser que armas, façam temer.
O grande pavor que todos temos.
É do que não podemos entender.
É trágico o que não se vive.
Dos meus pecados te absolvo.
Afaste a desgraça.
Iluda-te nunca mais.
Saiba que és como tesouro.
Rara joia sem penhora.
Que cintila em céu escuro.
O mágico bem de ser livre.
Desejas muito algo novo.
Perceber a graça.
Persistir uma vez mais.
E encontrar o pote de ouro.
Tua maquiagem não borra.
Sequei teu choro.
A mim te rendes.
Dá-me teu mundo.
E mais uma vez.
No silêncio.
Em silêncio.
Te encontrei.
(W.B.)

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