quarta-feira, 26 de agosto de 2015

No silêncio




"Existe no silêncio, uma tão profunda sabedoria que às vezes ele se transforma na mais perfeita resposta."

(Fernando Pessoa)


"Sou companhia, mas posso ser solidão.
Tranquilidade e inconstância, pedra e coração.
Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono.
Música alta e silêncio."

(Clarice Lispector)


No silêncio.
No silêncio.
No silêncio tenho um mergulho profundo.
Silêncio.
Frágil como um cristal.


Deixo-te cobrir as feridas.
Que voltaram.
A arder.
Ajustaste tuas velas.
Para seguires mar além.


Uma névoa espessa não te deixa ver claramente.
Não és refém quando o grilhão quebra.
Porque agora somos outros.
Pus um pouco de luz.
No que era confuso.
Acolhendo-te como um protetor.


Sei que não quer, pesaroso sorrir.
Dance uma canção.
No teu ritmo predileto.
Não deves, satisfação a ninguém.


No silêncio.
Acendo um incenso à noite.
Vejo o som ecoando no quarto.
Rememorando um açoite.


Sempre temos chances de novos planos.
Pode ser que armas, façam temer.
O grande pavor que todos temos.
É do que não podemos entender.


É trágico o que não se vive.
Dos meus pecados te absolvo.
Afaste a desgraça.
Iluda-te nunca mais.
Saiba que és como tesouro.
Rara joia sem penhora.
Que cintila em céu escuro.


O mágico bem de ser livre.
Desejas muito algo novo.
Perceber a graça.
Persistir uma vez mais.
E encontrar o pote de ouro.
Tua maquiagem não borra.
Sequei teu choro.
A mim te rendes.


Dá-me teu mundo.
E mais uma vez.
No silêncio.
Em silêncio.
Te encontrei.


(W.B.)






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