quarta-feira, 28 de março de 2018

Não



"O silêncio é a mais perfeita expressão do desprezo."


(George Bernard Shaw)




"Às vezes o melhor jeito de chamar a atenção de alguém é parar de dar atenção."


(Bob Marley)




No seu tribunal.
Não fui eu que julguei.
Se fizesse uma delação.
Não teria premiação.


Tem honorário, não.
O que que tem não sei.
Só há condenação.
Somos vítimas e réus.


Um prisioneiro.
Que se livra da grade.
Descobre que o grilhão.
Jamais é banal.


Destituído sem assumir o trono.
Lançado a um canibal.
Dessabe o que lidou.
Pois sempre tergiversou.


Não.
Não tem não.
A minha antiga afeição.
Não tem não.
A minha preocupação.


Incluí-me fora de seus rolos.
Das culpas e dos dolos.
A peça que quer encenar.
Já conheço o final.


Um pavio a crepitar.
Irá dinamitar.
O que se estilhaçou.
Não se pode restaurar.


Não.
Não tem não.
A minha velha atenção.
Não tem não.
Só rolou protelação.


Não.
Não tem não.
Nenhuma explicação.
Não tem não.
Prescrição nem absolvição.


Meu bem.
Você trucidou.
Em um momento dilacerou.
E a dileção de outrora.
Agora jaz.


Não.
Não tem não.
Só sobrou a absunção.
Não tem não.
Só restará terceira compunção.



(W.B.)

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