quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Nos (re)encontraremos daqui a pouco...


"A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos."



(Pablo Picasso)


Enquanto viveste não te perdi.
Nem com tua ida me perco de ti.
Sei que neste momento que sofro, PAPAI DO CÉU deve estar feliz, pois findou teu sofrimento e foste para junto dele e, quando eu olhar para as estrelas no firmamento, saberei que a mais brilhante és tu.
Enquanto me criaste como teu neto preferido.
Enquanto fazias "dedêla" quando eu nem sabia falar direito.
Enquanto te lembravas de como era o uniforme da escola.
Enquanto rias das palmadas naquelas perninhas gordas.
Enquanto te recordavas do carnaval quando o Zorro dormiu...
Sempre em silêncio com um sorriso nos lábios admirava tua fala.
O mesmo silêncio que tantas vezes ficaste e engoliste a raiva que tinhas e que minaste tua saúde.
A fala que nunca perdeste apesar dos problemas que enfrentaste.
Com o pouco que tinhas sempre me ensinaste muito.
Tua fé, tua esperança, teu carinho, tua figura, teu exemplo.
Enquanto o mundo me execrava com raiva nos olhos, tu sempre tinhas uma palavra precisa, pois sempre enxergaste o que tenho no coração.
Disseste que eu era explosivo, mas não era má pessoa, já que me conhecias do direito e do avesso, sabias como eu era melhor que a palma de tua mão.
Hoje quando o telefone tocou, não quis atender, como se as ligações que trazem más notícias e não são atendidas tivessem o poder de fazer desaparecer aquele fato que não é nada auspicioso.
Tinha medo de saber que a tua hora havia chegado, mas como me ensinaste o medo tem de ser enfrentado para ser vencido e sermos vencedores.
Hoje parte de mim se foi, se foi não, marcou um encontro para um outro local, mais tarde, não é um adeus, mas um até breve.
Hoje sei que o que passavas aqui terminaste e inicias uma nova história noutra morada.
Hoje as lágrimas rolam pela face e não te tenho para afagar meu rosto dizendo que tudo vai passar.
Hoje sou menos pior do que fui ontem, e melhorarei (ainda mais) amanhã.
Hoje não há perdas, nem derrotas e lá de cima sorrirás ao veres minhas vitórias.
Hoje tenho esse aperto no peito, esse vazio (incomensurável) que vai passar, mas a saudade durará até o dia que a gente se reencontrar.
Até breve "Vó".

Ana Maria da Conceição Laurentino
*15/09/1932 +28/10/2010

2 comentários:

  1. Amigo, acredite, onde quer que esteja esse "anjo" que sempre olhou por ti, estará melhor e que PAPAI DO CÉU sabe o que faz.. nós é que não sabemos o que dizemos. Conte comigo sempre, para o que precisar.!
    Jéssica Vargas.

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