sábado, 2 de outubro de 2010

Promessa



"O céu é só uma promessa. E eu tenho pressa, vamos nessa direção..."


(Engenheiros do Hawaii)

Mal, já era, estou sozinho.

O fim do sufoco. Um novo caminho.

É vaca no cio. Ferida e anzol.

É coito, sorte, desgraça e farol.


Tristeza do pranto. Pó de zoeira.

Vaga (há), vagueia, perdida sem eira.

Rabeira em assento, bumbo de gafieira.

Começo de fim de mundo. Cheira a beira.


É perda, perdendo, é o cúmulo da burrice.


Luva sem mão, reza sem especialista.

Dente doendo, sem anestesista.

Régua e compasso, sem trapezista.


Tem fé, tem não, desgraça criança.

Dá na mão e não dá esperança.

Cai o véu, cai no erro do não.

Distrato, aponte, o seu chão.


Largue o moço seguir seu carinho.

Rei morto, rei posto; rei burrinho.

Estrepa, se trepa, quem conta um conto?

Flui, concluindo, amando o desamor.


Uma flecha que não é reta voando.

Uma blusa de lã e o aroma fragrando.

Tenha vida na longa jornada.

Um bacana também deixa desesperada.


Concreto na asa não traz fama.

Não é desgraçado, quem ama e ama.

É um passo de dança e filosofia vã.

É seu sorriso para seu maior fã.


Não sobra o mau, resgatei sua fé.

Carinho no coração sem marcha ré.


Faço, disfarço e refaço a percepção.

Percebo a sua real emoção.


Afinal já era, eis outro caminho.

Não tenho pouco carinho.

Refaça, aponte, seja sã.

É bela à noite, à tarde e de manhã.


Passo, traço e repasso a percepção.

Perceba a verdadeira intenção.

Mal se ferra pelo sozinho.

Gesto, tosco e um pouco mesquinho.

Tato perdido, perdida, no sol, sem vara nem anzol.


Graça sem desgraça, sim sem não.

Prometo viver no seu coração.


(W.B.)


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